Uma Thurman publica vídeo de acidente no filme ‘Kill Bill’

O realizador disse estar arrependido de ter obrigado a atriz a conduzir o carro nas filmagens de “Kill Bill”
Uma Thurman decidiu tornar público o vídeo do acidente de carro que sofreu enquanto filmava “Kill Bill”. Quentin Tarantino disse que o incidente foi “um dos maiores arrependimentos” da sua vida.
Tarantino respondeu à coluna no jornal The New York Times, da autoria da jornalista Maureen Dowd, que entrevistou a atriz sobre os alegados ataques sexuais que esta terá sofrido da parte de Harvey Weinstein.



O conhecido realizador que ficou famoso precisamente pelo filme “Pulp Fiction”, em que Uma Thurman participou e que fez da Miramax, de Harvey Weinstein, uma produtora respeitada decidiu esclarecer o público, através de uma entrevista ao Deadline, esta segunda-feira, em que confirmou que sabia que a atriz estaria a falar sobre o assunto do acidente e que acedeu ao seu pedido de recuperar o filme da colisão.
Tarantino revelou que precisou de procurar no armazém e que acabou por encontrar, no meio de várias caixas, a parte da gravação em que surge o acidente que Uma sofreu em “Kill Bill”, e que lhe deixou sequelas nas costas e nas pernas para o resto da vida.
“Nunca conversei com Uma sobre isso, não sei exatamente o que causou o acidente, e Uma também não sabe. Ela tem as suas suspeitas e eu tenho as minhas. Pensei que se eu conseguisse essa filmagem [do acidente] e ela a tornasse pública, um especialista em acidentes poderia olhar e determinar exatamente o que aconteceu naquela estrada”, disse Tarantino.
Thurman publicou o vídeo no Instagram acompanhado de um texto em que esclarecia que não acreditava que Tarantino tivesse agido de má fé. Na gravação, pode ver-se a atriz a tentar controlar o descapotável, antes de o carro embater numa palmeira e da atriz bater violentamente com a cabeça no banco do passageiro.

Thurman era uma das “atrizes queridas” de Weinstein e costumava passar muito tempo a falar com o produtor. Por isso, quando uma vez se encontraram num quarto de hotel em Paris e aquele despiu o roupão, Uma achou a situação estranha mas não pensou que ele fizesse mais avanços.
Pouco depois, aconteceu o “primeiro ataque”, num quarto do Hotel Savoy, em Londres. “Ele prendeu-me. Tentou deitar-se em cima de mim. Tentou mostrar-me o seu corpo. Fez todo o tipo de coisas desagradáveis”, conta. Mas não chegou a forçar o ato sexual. No dia seguinte, ele enviou-lhe um enorme ramo de rosas. Uma Thurman aceitou voltar a encontrar-se com Weinstein para o confrontar, mas marcou o encontro no bar do hotel e levou consigo a amiga Ilona Herman. Só que, como sempre, e com a ajuda da assistente de Harvey Weinstein, o encontro foi transferido para o quarto.
Ao The New York Times, Ilona Herman contou que ficou à espera no bar e quando, finalmente, Uma saiu do elevador, “estava completamente descontrolada e a tremer.” Só quando chegaram a casa foi capaz de contar que Weinstein tinha ameaçado acabar com a sua carreira.
A partir desse momento, e apesar de continuar a trabalhar com a Miramax, Uma Thurman diz que passou a encarar Weinstein como um inimigo. E que só devido à insistência de Quentin Tarantino aceitou participar nos filmes “Kill Bill”. No entanto, apesar de, devido à intervenção do realizador, Harvey Weinstein ter acabado por pedir desculpas a Uma Thurman, a verdade é que a relação dela com Tarantino acabou por ser afetada.
Na última semana de rodagem da saga “Kill Bill”, Tarantino insistiu para que a atriz filmasse uma cena em que conduzia um carro. Uma achou que a cena era perigosa e que o carro não oferecia condições de segurança e pediu para ser substituída por um duplo. Mas o realizador foi intransigente. Uma Thurman acabou por ter um acidente e ficar ferida e com lesões nas costas e nas pernas para o resto da vida.
Este incidente, diz a atriz, revela até que ponto a “desumanização” no meio cinematográfico podia pôr vidas em perigo. Depois disso, apesar de aparecer sorridente ao lado de Tarantino na promoção dos filmes, a verdade é que não voltaram a ser amigos. Uma sentiu que tinha sido agredida, violentada não de forma sexual mas de outra forma. Sentiu-se vulnerável. “Harvey atacou-me, mas isso não me matou. O que me afetou mesmo foi o acidente.”

 



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