Manobra do Planalto, mantém tucano como relator da denúncia contra Temer

O PSC formalizou a decisão de ceder uma de suas vagas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ao deputado Bonifácio de Andrada, para que ele se mantenha relator da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. O partido retirou o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) da CCJ para substituí-lo por Bonifácio, afastado da vaga na comissão pelo PSDB. O ofício já foi encaminhado formalizando a troca. Bonifácio será integrante como suplente.
A saída foi articulada pelo líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE). O vice-líder do governo na Câmara e da tropa de choque, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), disse que o PSDB só quis causar constrangimentos.
“Foi um ato sem consequência nenhuma, a não ser causar constrangimentos por alguns segundos”  disse Marun.
O PSDB decidiu que o relator terá de apresentar o seu parecer desatrelado da bancada tucana, emprestado a outro partido. A solução foi negociada pelo presidente do partido, Tasso Jereissatti (CE), e pelos líderes do partido na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), e no Senado, Paulo Bauer (SC).
A indicação de Andrada criou constrangimento no PSDB porque a bancada está rachada entre os que apoiam o governo e os que pregam o rompimento . Segundo Tripoli, o racha deve se repetir na votação da segunda denúncia e metade dos deputados tucanos deve votar contra a denúncia e metade por seu prosseguimento.
Andrada deixou claro que esse entendimento do partido foi feito à sua revelia, e que seu compromisso é com a CCJ e com a palavra que já empenhou de que iria relatar o caso. Ele é da ala pró-governo e votou pelo arquivamento da primeira denúncia contra Temer, por corrupção passiva.
A leitura do parecer da segunda denúncia contra Temer, que atinge também os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco ( Secretaria-Geral da Presidência), está prevista para a próxima terça-feira, às 10h, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
Após a leitura, cada advogado poderá se manifestar durante o mesmo tempo utilizado pelo relator. O pedido de vista regimental é de duas sessões.
De acordo com o calendário da CCJ, a primeira reunião de discussão e votação do parecer deve ocorrer no dia 17 de outubro, às 10h. Para discussão do relatório será formada uma lista com até 20 deputados favoráveis e 20 contrários ao parecer do relator. Conforme foi acordado, podem se inscrever deputados que integram o colegiado, assim como também os que não fazem parte da CCJ. O quorum de votação do parecer é de maioria simples.
A defesa dos acusados foi apresentada ontem à CCJ. Temer e os dois ministros são acusados pela Procuradoria-Geral da República de organização criminosa e obstrução de Justiça.

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