Conflito entre Congresso e Judiciário faz Temer marcar reunião entre os três Poderes

O presidente Michel Temer marcou para a manhã de quarta-feira a reunião com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia. Os quatro vão se reunir no Palácio do Planalto às 11h. O encontro foi um pedido de Renan. Nesta terça-feira, o senador esteve novamente com Temer. Foi a terceira reunião consecutiva que tiveram, depois da deflagração da operação Métis, na última sexta-feira.
Irritado com o que considera uma interferência indevida no Senado, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), pediu a Temer que marcasse a reunião para dar um “freio de arrumação” na relação entre os Poderes.
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Em conversa reservada na noite de ontem, Renan Calheiros reiterou a reclamação sobre o ministro Alexandre de Moraes (Justiça), por ter dito que os policiais do Senado “extrapolaram” suas funções ao realizarem varreduras para detectar escutas nas casas de senadores. Mas, o presidente do Senado disse a Michel Temer que não pedirá a “cabeça” de nenhum ministro e que cabe ao presidente da República demitir ou nomear quem quiser.
Renan disse a Temer acreditar que o problema é “muito mais amplo” que a fala que considerou desastrada do ministro da Justiça. A aliados, o presidente do Senado afirmou que é preciso estabelecer de forma clara a separação dos Poderes e que, se continuar como está, até mesmo a governabilidade estaria ameaçada.
O presidente do Senado pretende responder, ainda hoje, às declarações da ministra Cármen Lúcia, que, mais cedo, pediu “respeito” ao Judiciário e saiu em defesa indireta do juiz Vallisney Souza, que autorizou a prisão dos policiais do Senado e foi chamado por Renan de “juizeco”. A interlocutores, Renan afirmou que fala a mesma linguagem de Cármen Lúcia quando pede respeito ao Legislativo.
“Assim como a ministra cobra respeito ao Judiciário, eu peço respeito ao Legislativo. O Senado tem sido vítima, reiteradamente, de abuso de juízes de primeira instância, que não têm competência para atuar nessa instância” afirmou o presidente do Senado a aliados.
A reação de Renan nos dias que se seguiram à prisão dos policiais do Senado gerou preocupação no Palácio do Planalto, onde a postura do peemedebista foi vista como um sinal de que ele pode causar dificuldades no momento em que o governo depende do Congresso para aprovar a pauta do ajuste fiscal. Está prevista para ser enviada ao Senado nesta terça-feira a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que estabelece um limite para os gastos públicos, e que o governo quer ver aprovada no Congresso ainda este ano.

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