Raquel quer mais prazo para investigar Aécio

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para prorrogar por mais 60 dias o prazo de cinco investigações envolvendo o senador Aécio Neves(PSDB), nas Operações Patmos e Lava Jato. Os requerimentos se deram no âmbito de quatro inquéritos embasados nas delações da Odebrecht e um no acordo de colaboração da JBS. Em todos os pedidos, a procuradora-geral pede para que seja ‘considerada a existência de diligências pendentes e necessárias ao deslinde das investigações’. Entre os pedidos, a chefe do Ministério Público Federal ainda vê necessidade de diligenciar locais aonde teriam sido entregues valores em dinheiro vivo, como empresas e residências apontadas por delatores.



Nas vistorias em empresas, a procuradora-geral quer ter acesso a quem entrou e saiu dos locais nas datas apontadas pelos delatores, e, em residências, pede para que sejam colhidas provas testemunhais ‘dada a quantidade de vezes em que foram realizadas as entregas de dinheiro’.
Aécio é delatado por supostas propinas de R$ 5,2 milhões oriundas de fraudes em licitações para a construção da cidade administrativa, sede do governo estadual de Minas Gerais. O ex-diretor de Infraestrutura da empreiteira, Benedicto Júnior, contou que, numa reunião no início de 2007, no Palácio das Mangabeiras, Aécio o comunicou que havia decidido pela participação da Odebrecht na obra, antes mesmo de a licitação ocorrer.
Nesse encontro, o tucano teria indicado Oswaldo Borges, seu contraparente e então presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), para “acertar tudo a respeito”. A partir daí, a Odebrecht indicou seu superintendente em Minas, Sérgio Luiz Neves, para tratar de pagamentos e combinar as fraudes ao processo de concorrência.
Segundo a procuradora-geral, nesta investigação, ainda resta interrogar os executivos Sérgio Cunha Mendes (Mendes Jr), João Marcos Almeida Fonseca (Andrade Gueiterrez), Reginaldo Assunção Silva (OAS), Francisco Ranulfo Rodrigues (Queiroz Galvão); além de Eduardo Camargo e Ricardo José Lyra Alves.
“Ademais, ainda resta, pendentes de resposta os Oficios enviados à Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas) (fl. 379) e Minasmaquinas S/A (fl. 380), por meio dos quais a autoridade policial requereu o registro de acesso de diversos indivíduos, envolvidos nos fatos ora investigados, na sede das referidas empresas”, afirma. A Minasmáquinas é a concessionária de veículos cujo dono, Oswaldo Borges, é apontado por delatores como intermediário de Aécio.




Em outro inquérito, delatores afirmam ter firmado um contrato fictício de R$ 3 milhões com a PVR propaganda, responsável pela campanha do tucano, como forma de caixa dois, em 2014. De acordo a colaboração, o executivo Sergio Luiz Neves teria se reunido com Paulo Vasconcelos, marqueteiro da campanha. Neste inquérito, Raquel ainda aguarda registros da entrada do delator na sede da Codemig. Em delação, Sérgio Neves afirmou ter discutido financiamento de R$ 15 milhões a Aécio com Oswaldo Borges na sede da empresa pública.
Neste inquérito, Raquel ainda vê necessidade de perícia nos sistemas ‘my web day’ e ‘Drousys’, do departamento de propinas da Odebrecht.
A procuradora-geral diz que a PF ‘aponta como pendente a oitiva de Anderson Luís Correa Marques, que seria o assessor de Dimas Toledo responsável por receber os valores pagos pela Odebrecht’, no âmbito de inquérito que investiga se a Odebrecht repassou R$ 3 milhões a Aécio e ao ex-deputado Pimenta da Veiga e R$ 3 milhões para Dimas Toledo Júnior e outros deputados da base do tucano em 2014. O caixa dois ao ex-governador de Minas Antônio Anastasia também é alvo desta investigação.
Raquel também pede que sejam diligenciados ‘endereços residenciais onde as entregas de valores foram, em tese, efetuadas para obter eventuais registros de ingresso dos funcionários do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht’. “O repasse dos valores ao primeiro grupo foi realizado com entregas de dinheiro em residência localizada na Avenida Olegário Maciel, 1727, Bairro de Lourdes, Belo Horizonte/MG, com exceção do valor de R$ 500 mil reais destinados a Aécio Neves, que foram entregues a Oswaldo Borges da Costa, em concessionária de máquinas e caminhões situada na Rodovia BR-381. Quanto aos valores destinados a Dimas Toledo, foram realizadas entregas em dinheiro a seu assessor, de nome Anderson, na residência localizada na Rua Assunção, 365, apto 703, Belo Horizonte/MG”.
“Embora se trate de endereço residencial, os quais não costumam registrar acesso, é possível que, dada a quantidade de vezes em que foram realizadas as entregas de dinheiro, haja prova testemunhal dos acessos realizados por funcionários do Setor de Operações Estruturadas”, anota a procuradora-geral.
Em outro inquérito, que investiga supostas solicitações do senador para a campanha do ex-governador Anastasia em 2010 à Odebrecht, Raquel também vê necessidade nos registros de Sérgio Luiz Neves na sede da Codemig e de entradas e saídas na Minasmaquinas.
Ainda há um inquérito no STF que investiga Aécio Neves, embasado na delação da JBS, em que Raquel também solicitou novas diligências. Aécio Neves foi denunciado por obstrução de Justiça e corrupção no valor de R$ 2 milhões repassados em mala pelo delator Ricardo Saud a entrega do dinheiro ao primo do tucano foi filmada em ação controlada da Polícia Federal sobre o colaborador. Na cota da denúncia, o procurador-geral da República ainda pediu para que fossem investigados também supostos R$ 60 milhões solicitados pelo senador para a campanha presidencial de 2014, liberação de créditos de ICMS à JBS e a compra de um imóvel superfaturado supostamente em benefício do tucano. (Conteúdo O Estado de S.Paulo)



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