ONU aponta crimes de guerra da coalização Saudita no Iêmen

Um relatório da ONU sobre abusos dos direitos humanos relacionados à intervenção estrangeira no Iêmen detalha as extensas baixas civis infligidas pelos ataques aéreos da coalizão liderada pela Arabia Saudita.
O painel das Nações Unidas examinou 10 ataques aéreos em 2017 que mataram 157 pessoas e descobriram que as metas incluíam um barco migrante, um mercado noturno, cinco edifícios residenciais, um motel, um veículo e forças governamentais, de acordo com relatório mostrado da ONU.



“Este é um relatório para o Conselho de Segurança da ONU que não foi tornado público, mas fui autorizado a ler uma cópia. É muito difícil e muito crítico com todas as partes na guerra no Iêmen”, disse um diplomática a TV Al Jazeera.
O painel disse que pediu informações da coalizão dirigida pela Arabia Saudita para o raciocínio por trás de tais ataques, mas não recebeu uma resposta. Os ataques foram realizados por munições guiadas com precisão, por isso é provável que estes fossem os objetivos pretendidos, ressalta o relatório.
“Mesmo que, em alguns casos, a coalizão liderada pelos sauditas tenha alvejado objetivos militares legítimos, o painel considera altamente improvável que os princípios de proporcionalidade do Direito Internacional Humanitário (IHL) e as precauções no ataque sejam atendidas”, afirmou o relatório.
O relatório também citou um padrão “generalizado e sistemático” de “detenções arbitrárias, privação de liberdade e desaparecimentos forçados”. Foi particularmente cólico sobre os campos dos Emirados Árabes Unidos, onde diz que a tortura ocorreu.
“O relatório fala sobre espancamentos, eletrocussões, suspensão restrita e fala sobre algo chamado de gaiola que é confinamento em uma gaiola à luz do sol e a negação de tratamento médico”, disse James Bays.
“Trabalhar com o governo do Iêmen dá aos Emirados Árabes Unidos a credibilidade plausível”, acrescentou.
Ameaça para a paz
As forças de procuração financiadas e armadas pela coalizão “representam uma ameaça à paz, à segurança e à estabilidade do Iêmen”, afirmou o painel, e “fará mais para promover a fragilidade do Iêmen do que farão para manter o estado”.




O relatório também disse que a secessão do sul no Iêmen tornou-se uma possibilidade genuína, em parte devido à duração da guerra, à falta de progressos e divisões militares que emergiram no país.
Segundo Bays, o relatório se pergunta se o Iêmen pode permanecer um país.
“As pessoas no sul estão exibindo a antiga bandeira do sul do Iêmen e não são leais ao presidente Hadi, embora estejam sob seu comando”, disse Bays.
O relatório também é crítico com o papel do Irã no conflito, enfocando especificamente no apoio aos rebeldes de Houthi, que invadiram a capital do Yemen, Sanaa, em 2014 e capturaram grandes extensões do país, com equipamentos militares.
O relatório afirmou ainda que houve equipamentos militares e drones de origem iraniana e que foram introduzidos no Iêmen depois que o Conselho de Segurança adotou um embargo de armas.
Desde o início da guerra do Iêmen, mais de 10 mil pessoas foram mortas, de acordo com a ONU.
Em março de 2015, uma coalizão liderada pelo exército lançou uma grande campanha aérea contra os Houthis, destinada a restaurar o governo do presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi.
A maioria das mais de 5.000 mortes civis foi causada pela coalizão liderada pelos sauditas, dos quais os Emirados Árabes Unidos (EAU) são membros, a ONU já disse.
O principal funcionário dos direitos humanos da ONU, Zeid Raad al-Hussein, pediu um inquérito independente sobre as atrocidades no Iêmen durante três anos antes da comunidade internacional concordar em 2017.
Em setembro, os Países Baixos e o Canadá estrearam um projeto de resolução que estabeleceria uma comissão internacional de inquérito para garantir que os “perpetradores de violações e abusos, incluindo aqueles que possam constituir crimes de guerra e crimes contra a humanidade, sejam responsabilizados”.
A resolução foi aprovada depois que a China anunciou seu apoio no final desse mês.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *