OEA não reconhece resultados de eleição na Venezuela

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, declarou nesta segunda-feira que “não se pode reconhecer” os resultados da eleição de governadores realizada no domingo na Venezuela, e avaliou que “já não é mais tempo de resoluções ou declarações”.
Segundo Almagro, a votação realizada no domingo exibiu irregularidades que “repetem variáveis de ilegalidade, incerteza e fraude que temos denunciado”.
O diplomata uruguaio disse que esperava “celebrar a realização de uma festa cívica” na Venezuela, mas agora é necessário “expressar o ceticismo e denunciar a falta de garantias que são recorrentes em atos eleitorais que realizam as ditaduras”.
“Não se podem reconhecer os resultados de uma eleição em um país onde não existem garantias para o exercício efetivo da democracia”.
“Nenhuma eleição na Venezuela dará garantias aos eleitores sem que se realize sob observação internacional qualificada, especialmente por parte desta Organização”.
Almagro afirmou que “já não é tempo de resoluções ou declarações”, e informou que seu gabinete vai “promover e legitimar a aplicação de sanções” contra a Venezuela, apoiando “a institucionalidade democrática venezuelana, que hoje deve funcionar no exílio”.
Nesta segunda-feira, a comissão formada por Almagro realizou novas audiências para determinar se há fundamentos para levar Caracas à Corte Penal Internacional por crimes contra a humanidade.
Nas audiências foram ouvidos os depoimentos da juíza Ralenis Tovar, do magistrado Pedro Tronconis, do legislador Armando Armas e do diplomata Isaías Medina, assim como o de Rosa Orozco, mãe de uma jovem que morreu em 2014 devido à repressão.
Tovar, juíza que firmou a ordem de prisão contra o líder opositor venezuelano Leopoldo López, revelou em seu depoimento que assinou o documento por medo de represálias.
“Sou mãe de uma menina e isto me fez assinar”, disse Tovar, confirmando que na Venezuela existe uma política sistemática de intimidação dos integrantes do Poder Judiciário.(AFP)

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