Motorista de Cabral comprou R$ 4 milhões em joias

Em diligências realizadas na sexta-feira, na Zona Sul do Rio, em duas lojas da joalheria Antonio Bernardo, agentes da Polícia Federal encontraram indícios de compras de cerca de R$ 4 milhões, desde 2007, em nome de um motorista do ex-governador Sérgio Cabral. Pelas informações levantadas pela PF, as joias teriam sido adquiridas pelo próprio Cabral, apesar de os registros encontrados estarem no nome do funcionário.
Os policiais estiveram no shoppings Leblon e da Gávea. Permaneceram por cerca de duas horas em cada uma das lojas, recolhendo documentos e imagens das câmeras de segurança. Segundo as investigações, Carlos Miranda, operador financeiro do grupo acusado de cobrar propina de empreiteiras que tinham obras com o governo estadual, era outro que fazia compras de joias usando o nome de um laranja. Adriana Ancelmo, ex-primeira-dama, também está na lista de compradores da joalheria.
As diligências de ontem foram feitas a pedido do Ministério Público Federal, que considerou insatisfatórias as informações prestadas pela gerente da joalheria Vera Lúcia Guerra. Em seu depoimento, ela havia contado que a última venda para Cabral teria ocorrido há dois anos: um colar de ouro no valor de R$ 10 mil. A gerente afirmou que o pagamento em dinheiro foi feito por um homem que ela disse não conhecer.
Ontem, em nota, o MPF ressaltou a suspeita em relação à aquisição de joias de valores expressivos. “A venda de joias de altos valores em dinheiro, sem nota fiscal e sem comunicação aos órgãos competentes, além da possível sonegação de informações às autoridades públicas, podem indicar conivência com crimes de lavagem de dinheiro, sendo dever do MPF assegurar, pelas medidas previstas no Código de Processo Penal, a colheita e a preservação dos elementos de prova necessários à elucidação dos fatos”.
Um advogado da joalheria acompanhou a ação da PF, mas não deu declarações. Em nota, a assessoria de imprensa da Antonio Bernardo afirmou que “desde o início da Operação Calicute está colaborando e atendendo a todas as solicitações das autoridades competentes”. “Todos os documentos solicitados por eles foram entregues por nossos advogados”, completou.
A Polícia Federal apreendeu quase 300 joias durante a Calicute. Os peritos da PF estão identificando cada uma delas. O trabalho é para descobrir se são autênticas e qual o valor de mercado. Quarenta estavam no apartamento de Sérgio Cabral e da mulher dele, Adriana Ancelmo. As outras foram encontradas com os outros integrantes do grupo de investigados.
joias08 Motorista de Cabral comprou R$ 4 milhões em joias
Joias apreendidas pela Policia Federal
Além da Antonio Bernardo, Cabral e Adriana Ancelmo também costumavam comprar joias na H.Stern. Segundo depoimento prestado pela diretora comercial Maria Luiz Trotta, as peças, com valor de até R$ 100 mil, eram vendidas na residência do casal, no Leblon.
JUSTIÇA DETERMINA BLOQUEIO DE R$ 1 BI
Também ontem, a Justiça do Rio determinou o bloqueio de bens no valor de R$ 1,028 bilhão de seis pessoas, entre elas o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-secretário estadual de Fazenda, Júlio Bueno, além da fabricante de pneus Michelin. A decisão liminar foi concedida após pedido do Ministério Público estadual, que alega atos de improbidade administrativa na concessão de isenção de ICMS à empresa. Além do bloqueio, a juíza Neusa Regina Larsen de Alvarenga Leite, da 14ª Vara de Fazenda Pública do Rio, determinou a quebra do sigilo fiscal dos envolvidos.
As outras quatro pessoas citadas na decisão são o diretor-presidente e a diretora de operação da Agência de Fomento do Rio, Maurício Elias Chacur e Roberta Simões Maia de Araújo; e a diretora-presidente e o diretor de Informações da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio (Codin), Maria da Conceição Gomes Lopes Ribeiro e Pedro Paulo Novellino do Rosário.
Concedidos a partir de 2010, os benefícios adiavam, sem prazo determinado, o recolhimento do IMCS devido na compra de equipamentos para a ampliação da fábrica da empresa em Itatiaia, no Sul Fluminense. Na ocasião, Júlio Bueno era secretário de Desenvolvimento Econômico. Depois, na gestão de Luiz Fernando Pezão, ele passou a ocupar a secretaria estadual de Fazenda.
Em nota, o ex-secretário Julio Bueno afirmou que “o incentivo foi aprovado pela Comissão Permanente de Políticas para o Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro (CPPDE), que avalia tecnicamente a viabilidade de enquadramento das empresas no Fundes (Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social)”.(O Globo)
SiteLock