Morales ignora resultado do referendo e se lança candidato na Bolívia

O governista Movimento ao Socialismo (MAS) decidiu neste sábado que o presidente Evo Morales será novamente candidato à presidência nas eleições de 2019 na Bolívia, apesar de ele não estar legalmente habilitado para tal, devido ao resultado do referendo de fevereiro.
Morales, no poder desde 2006, aceitou a candidatura ao quarto mandato: “Se o povo decidir, Evo continua. Nenhum problema. Vamos derrotar a direita. Tantas vezes derrotamos a direita. Temos confiança nos movimentos sociais”, disse o presidente após a votação unânime do MAS, em um congresso realizado em Montero, leste da Bolívia.
O congresso partidário recomendou “quatro alternativas legais para habilitar a candidatura dentro da via constitucional”, explicou um líder sindical ao ler as conclusões, já que, por agora, o mandato de Morales vai até 22 de janeiro de 2020.
A primeira sugestão é a reforma de parte da Constituição Política através de uma iniciativa cidadã , com a coleta de assinaturas equivalentes a 20% do padrão eleitoral.
O segundo caminho se refere a uma reforma constitucional que permita a reeleição de autoridades por mais de um período de forma contínua.
A terceira opção recomenda que o presidente renuncie antes das eleições de 2019, antecipando a conclusão de seu mandato atual.
A última alternativa diz respeito à habilitação a um novo mandato mediante a interpretação da Constituição Política do Estado.
Morales, que, segundo a pesquisa mais recente, conta com uma popularidade de 49%, perdeu em fevereiro um referendo nacional para alterar a Constituição e lhe permitir a disputa do quarto mandato, correspondente ao período entre 2020 e 2025.
O presidente venceu sua primeira eleição em 2005, com 54% dos votos, foi reeleito em 2009, com 64%, e voltou a se eleger em 2014, com 61%.
Desde que chegou ao poder, Morales teve uma oposição fragmentada.
O tom desafiador do presidente boliviano deixa em alerta os opositores do País que temem que a Bolívia siga o mesmo caminho da Venezuela, e comece a implantar um sistema autoritário disfarçado de democracia.

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