Depois do irmão e filho, Lula pediu à Odebrecht que favorecesse empresa de sobrinho em Angola

Executivos da Odebrecht afirmaram que o ex-presidente Lula intermediou negócio da construtora com empresa do sobrinho Taiguara Rodrigues, no âmbito de contratos em Angola, com financiamento do BNDES; Lula já é réu em ação que o investiga por suposto tráfico de influência no país africano em favor da construtora.
O empresário Marcelo Bahia Odebrecht, revelou, em delação premiada à Lava Jato, que a construtora contratou, no âmbito de obras no em Angola financiadas pelo BNDES, a empresa do sobrinho de Lula, Taiguara Rodrigues, a pedido do ex-presidente. De acordo com o ex-presidente do grupo, o parente do petista criou a Exergia sem ter experiência na área de construção e somente para fazer uso da influência de Lula.
São relatos de supostos crimes feitos pelos delatores da Odebrecht nas obras do sítio de Atibaia (SP), que seria patrimônio oculto do ex-presidente, em tratativas para aprovação de uma medida provisória que excluiria o Ministério Público Federal de acordo de leniência (espécie de delação para empresas), acerto de uma mesa para seu irmão Frei Chico, em negócios em Angola, entre outros.
Além do próprio irmão e sobrinho do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva a relatos em depoimentos da Odebrechet, o envolvimento de favores ao Filho caçula de ex-presidente, Luís Claudio Lula da Silva. Segundo o ministro do Supremo Edson Fachin “Em contrapartida, receberia o apoio da Odebrecht na atividade empresarial desenvolvida por seu filho Luís Cláudio Lula da Silva. Há menção, nesse contexto, de reunião entre Luís Cláudio Lula da Silva e representantes da empresa, ocasião em que foi apresentado ao grupo o projeto ‘Touchdown’, associado à criação de liga de futebol americano no Brasil”, informou Fachin. na petição 6842/DF.
Os delatores da Odebrecht relataram à Procuradoria-Geral da República que a empreiteira teria custeado despesas do ex-presidente Lula, como as reformas do sítio de Atibaia, interior de São Paulo, na aquisição de imóveis para o uso pessoal e instalação do Instituto Lula, além do pagamento por palestras do petista.
O depoimento de Marcelo Odebrecht e dos executivos Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, Antônio Carlos Dahia Blando e Ernesto Sá Vieira Balardi embasou petição do Procurador Geral da República Rodrigo Janot ao ministro relator da Operação Lava Jato. O Ministério Público Federal pediu para que o caso fosse encaminhado à Justiça Federal e à procuradoria da República no Paraná.
O ex-presidente Lula já é réu em processo, acusado de intermediar contratos para a empresa do sobrinho com a Odebrecht, em obras realizadas em Angola, com financiamento do BNDES. Taiguara Rodrigues criou a empresa Exergia, em 2009, e chegou a receber R$ 20 milhões, entre o ano de fundação da empresa e 2015. Além de ser acusado de intermediar os contratos para o sobrinho, Lula também foi denunciado por atuar junto ao BNDES para a liberação dos financiamentos das obras em Angola. O caso está sob julgamento do juiz Vallisney de Souza Oliveira 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília.
“Segundo o Ministério Público, os colaboradores relatam que o Grupo Odebrecht, entre os anos de 2011 a 2014, teria contratado a empresa Exergia, de propriedade Taiguara Rodrigues (sobrinho do ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva), objetivando prestação de serviços em Angola. Esclarecem, nesse contexto, que a referida contratação constituiria atendimento a pedido formulado pelo próprio ex-Presidente, acrescentando que a empresa Exergia não detinha experiência no ramo de construção e seria constituída por Taiguara Rodrigues tão somente para fazer uso da influência do ex-Presidente da República.”, afirma Fachin.
Acolhendo pedido da Procuradoria Geral da República, o ministro relator da Operação Lava Jato no Supremo deferiu o pedido da PGR para encaminhar as delações à Seção Judiciária do Paraná e à Procuradoria da República do Paraná.
“Observo que toda investigação deverá ser mantida em sigilo até 3 de maio de 2017”, determinou Fachin.

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