Lula acusa Léo Pinheiro e MP de negociar versão do ‘tríplex’

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, mentiu em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro para ter seu acordo de colaboração premiada aceito pelo Ministério Público Federal (MPF). Em depoimento ao juiz Sérgio Moro nesta quinta-feira, o executivo disse que Lula é o verdadeiro dono do tríplex no Guarujá que foi reformado pela empreiteira. O empresário disse também que o ex-presidente pediu que documentos sobre pagamento de “propina do caixa do PT” fossem destruídos.
“É uma mera afirmação de alguém que negociou a versão com o Ministério Público. É uma afirmação incompatível com a realidade dos fatos. Até porque a OAS colocou o imóvel como garantia diversas vezes como sendo dela. O importante é que, no dia 3, Lula vai estar aqui para mostrar a realidade dos fatos” declarou Cristiano Martins, na saída da audiência com Moro.
Em nota divulgada no início da noite, a defesa do ex-presidente alega que outras testemunhas negaram que tríplex pertence a Lula. Diz também que a afirmação do empreiteiro é “incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo Pinheiro”:
“A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo  não presenciado por ninguém no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-presidente”, diz trecho da nota.
O Instituto Lula corroborou as acusações da defesa do ex-presidente, afirmando que foi exigido de Léo Pinheiro que incriminasse o ex-presidente. Segundo o Instituto Lula, a afirmação do empresário é desprovida de provas e faz ilações sobre supostos acontecimentos de três anos atrás que jamais ocorreram, feita por alguém que busca benefícios penais.
Ontem, a defesa do ex-presidente Lula, em entrevista coletiva, apresentou documentos protocolados pela própria OAS em seu processo de recuperação judicial e documentos assinados por Léo Pinheiro que atribuem a propriedade do tríplex à própria empreiteira.
Segundo a defesa, em novembro de 2009, a OAS deu como garantia em uma emissão de debêntures o empreendimento Solaris, incluindo o tríplex, prática adotada em outrsa operações financeiras.
“Em 2013, o próprio Léo Pinheiro assinou documento para essa finalidade. O que disse o depoente é incompatível com relatórios feitos por diversas empresas de auditoria e com documentos anexados ao processo de recuperação judicial da OAS, que indicam o apartamento como ativo da empresa”, diz o comunicado da defesa.
Na nota, a defesa também afirmou que Léo Pinheiro negou ter entregue as chaves do apartamento a Lula ou aos seus familiares ou que tivesse sido usado pelo ex-presidente.
“Perguntado sobre diversos aspectos dos 3 contratos que foram firmados entre a OAS e a Petrobras e que teriam relação com a suposta entrega do apartamento a Lula, Pinheiro não soube responder. Deixou claro estar ali narrando uma história pré-definida com o MPF e incompatível com a verdade dos fatos”, disse.
Na manhã desta quinta, Lula prometeu “dizer o que pensa” sobre a Operação Lava-Jato durante seu depoimento a Moro, marcado para o próximo dia 3 em Curitiba.
“Não quero falar muito sobre isso (Lava-Jato), porque tenho depoimento dia 3. Se tiver que falar vou falar lá. Vou guardar tudo o que penso para dizer no dia 3”  disse Lula. — Eu não tenho que provar minha inocência, eles é que têm que provar a minha culpa. Até agora só se falou e escreveu, encontraram conta de gente na Suíça, em Cingapura, na Sibéria… — continuou o ex-presidente.

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