Líderes separatistas presos, já rejeitam a independência da Catalunha

Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, tal como Joaquim Forn, admitem ao juiz que o referendo independentista não tem efeito legal. Líder do parlamento catalão não quer voltar a ocupar o cargo e abre espaço para Ernest Maragall
Já nenhum dos quatro líderes independentistas catalães detidos em Madrid defende a via unilateral para conseguir a independência da Catalunha. Depois de o ex-vice-presidente da Generalitat Oriol Junqueras ter admitido que “o fim não justifica os meios” ainda antes das eleições, Jordi Sánchez (ex-líder da associação Assembleia Nacional Catalã), Jordi Cuixart (presidente da Ómnium Cultural) e Joaquim Forn (à frente da pasta do Interior no último governo catalão) renunciaram ontem à via unilateral diante do juiz da Audiência Nacional. Sánchez e Forn, deputados eleitos, foram mais longe, dizendo que deixam o lugar no Parlamento caso o Junts per Catalunya insista nesse caminho.



Os três admitiram ainda no novo interrogatório de Pablo Llarena, juiz instrutor do processo em que são acusados de sedição e rebelião, que o referendo de 1 de outubro não tem qualquer efeito legal. O “único” referendo válido será o que for convocado pelo governo de Espanha, disse Cuixart ao juiz, segundo as fontes da defesa citadas pelos jornais espanhóis. Além disso, reconheceu que a declaração unilateral de independência da Catalunha foi meramente “simbólica”. Os dois Jordis, como são conhecidos, foram detidos a 16 de outubro, sendo investigados por sedição nas manifestações prévias ao referendo. Ambos defenderam que os protestos nunca foram violentos e que sempre trabalharam para que fossem pacíficos.
Por seu lado, Forn admitiu ter participado no referendo sabendo que era “ilegal”. Mesmo dizendo não renunciar à independência da Catalunha, alegou que esta não pode ser conseguida de forma unilateral, mas por vias constitucionais. O ex-conseller disse que recusará um pedido para entrar para o próximo governo. Os três detidos – Junqueras não foi ouvido ontem pediram a Llarena para serem libertados, com os dois deputados a reiterar que querem assumir os seus novos cargos.
Sai Forcadell, entra Maragall?
A sessão constitutiva da XII Legislatura, marcada para as 11.00 (horário local) da próxima quarta-feira, será presidida pela chamada Mesa de Idade, liderada pelo deputado eleito mais velho, auxiliado pelos dois mais novos. Os trabalhos serão então presididos por Ernest Maragall, de 75 anos, irmão do ex-presidente socialista da Generalitat Pasqual Maragall. Militante do Movimento de Esquerdas (uma cisão do PSC), foi eleito pelas listas da ERC a 21 de dezembro. Caso não haja surpresas (falta ainda alguns deputados entregarem os documentos para assumir o cargo no parlamento da Catalunha), os restantes membros desta mesa serão também da ERC: Rut Ribas, de 27 anos, e Gerard Gómez del Moral, de 28.




Nesta sessão será eleita a Mesa do Parlamento da Catalunha, que presidirá então aos trabalhos parlamentares durante a XII Legislatura. Ontem, Carme Forcadell confirmou que não procurará a reeleição como presidente do Parlamento, seguindo conselho dos advogados e alegando que o cargo “deve ser para uma figura livre de processos judiciais”. A ainda presidente pagou 150 mil euros de fiança para aguardar o desenrolar do processo em que é acusada de sedição e rebelião na organização do referendo de 1 de outubro e consequente declaração unilateral de independência.
A ex-líder da associação Assembleia Nacional Catalã garante que não abandona a política e continuará como deputada. Num balanço dos seus quase dois anos à frente do Parlamento, admitiu que passou algumas “linhas vermelhas” mas mostrou-se “orgulhosa” por se ter mantido firme no seu objetivo que era “permitir o debate público”. E deixou o recado: “No dia em que abrirmos a porta à censura não a poderemos voltar a fechar.”
Segundo o La Vanguardia, poderá ser o próprio Maragall a assumir a presidência do Parlamento. Eurodeputado entre 2014 e dezembro de 2016, foi secretário de governo quando o seu irmão esteve à frente da Generalitat (2003 a 2006) e teve a pasta da Educação no governo de José Montilla, de 2006 a 2010. Ex-socialista, deixou o PSC em 2012 no início do processo independentista em desacordo com a direção, fundando a Nova Esquerda Catalã que, dois anos depois, se integrou no Movimento de Esquerdas.
Após a eleição da Mesa do Parlamento da Catalunha (que entre os sete membros terá quatro independentistas) será marcada a data da primeira votação para a investidura do presidente da Generalitat. Carles Puigdemont, em Bruxelas para escapar ao processo aberto pela justiça espanhola, insiste na ideia de o processo se poder realizar através de videoconferência ou com um outro deputado a ler o seu discurso de presidente. Opções que, segundo um relatório dos peritos do governo espanhol, não são válidas.
Os próprios independentistas estão divididos: Junqueras, detido em Madrid, escreveu no seu pedido ao juiz para ser transferido para uma prisão da Catalunha e poder assistir à sessão de investidura do Parlamento catalão que “os deputados têm o dever de assistir aos debates e votações do plenário e a pessoa do deputado é insubstituível”. (por Susana Salvador)

 



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