Jucá diz que pauta abuso de autoridade será retomada após vazamento de delação

Entrevista ao O Globo o Líder no Congresso e presidente nacional do PMDB Romero Jucá afirmou que o Senador Federal teve retomar a discussões sobre projeto de Abuso de Autoridades e Pacote de Medidas Anticorrupção que inclui punição a Juízes e Procuradores, após vazamento da delação premiada do ex-executivo da empreiteira Odebrecht.
 Citado em delação de executivo da Odebrecht como beneficiário de R$ 22 milhões por aprovar medidas provisórias de interesse da empreiteira, o líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR), diz que o Ministério Público tem como objetivo criminalizar doações eleitorais. Para Jucá, o vazamento cria ambiente para aprovação da lei de abuso de autoridade. Ele afirma ser alvo de uma “armação”, desafia empresários a provarem que pediu dinheiro em troca de apoio em projetos no Congresso, e que ser chamado de resolvedor da República é elogio.
Sobre a suspeita de que teria cobrado da Odebrecht R$22 milhões para aprovar MPs favoráveis a empreiteira, Jucá disse “Dizer que recebi R$ 22 milhões é uma loucura, um absurdo. Ao PMDB nacional, de 2012 a 2016, a Odebrecht e a Brasken deram R$ 38 milhões e esse dinheiro foi distribuído para as campanhas. Não é nem R$ 22 milhões, é mais. A Odebrecht também doou para eventos de juízes. O que queria em troca? Estava dando dinheiro para pagar sentenças? Se toda a relação que se tem com as pessoas há dinheiro envolvido, zera tudo.”
Romero Jucá que envolvimento dele nas afirmações do executivo da Odebrechet sobre compra de MPs seria armação do Ministério público. “Aquelas palavras não são construções do Cláudio Mello, e sim do Ministério Público que quer criminalizar doações eleitorais. Estão tentando dizer que a Odebrecht tinha interesses e comprou medidas provisórias e sanções presidenciais. Eu me sinto vítima de armação. Minha função como líder tem sido discutir medidas, fazendo uma ponte entre governo, Congresso e setor econômico. Sempre fiz articulação, é a função do líder. Dizer que entro nas discussões com o objetivo de receber alguma coisa é uma afirmação criminosa.”
Ao ser chamado pelo delator de ‘resolvedor da República’ e que estaria agindo a favor da Odebcrecht, Jucá rebateu “Estou fazendo um estudo das MPs e projetos para mostrar que não há dispositivo específico para atender a Odebrecht, nem que cause prejuízos ao setor público, ou que eu tenha recebido vantagem indevida. Minha tarefa sempre foi fazer essa ponte com o setor econômico estando ou não na MP. Meu gabinete é um centro de recebimento de confederações, empresários, empresas. Minha tarefa é ouvir os lados e tentar harmonizar as posições. Todas as medidas que aprovamos foram em acordo com governo e área econômica. Ser chamado de resolvedor da República é elogio.”
Acusado pelo ex-executivo da Odebrecht de ser coordenador da cúpula do PMDB no Senado e agindo em nome do presidente do Senado Renan Calheiros e pelo senador Eunício Oliveira. Jucá negou as acusações “Eu nunca falei em nome de Renan nem de Eunício. Não tenho procuração para fazer isso.”
Romero concluiu a entrevista ao O Globo afirmando que nunca recebeu vantagens, mas confirma ter recebido doação da empreiteira Odebrechet nas eleições 2014 em Roraima “Em 2014, recebi R$ 1,150 milhão da Odebrecht. Deste total, R$ 1 milhão foi para a campanha ao governo de Roraima (Rodrigo, filho de Jucá, era candidato a vice-governador), e R$ 150 mil para o partido no estado. Se vaza o que não está homologado e ainda se criminaliza antecipadamente as pessoas. Tem algo de maldade nisso que vai ter que ser enfrentado na legislação. Quem fez isso, está reabrindo a discussão que tínhamos amortecido no Senado, de votar a lei do abuso de autoridade.”

Um comentário em “Jucá diz que pauta abuso de autoridade será retomada após vazamento de delação

  • 14 de dezembro de 2016 em 11:04
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    Em princípio acho que ele tem razão ao afirmar que ninguém dever ser criminalizado sem uma justa e efetiva comprovação de suas eventuais faltas, o acusado deve obter ampla defesa para mostrar sua isenção em um eventual processo em que está sendo acusado e réu. Falta ao povo mais análise no momento de fazer julgamento, uma vez que muitos são acusações que não se sustentariam se fossem levadas a efeito, não podemos tomar decisões apenas por ouvir falar e a imprensa trazer notícias à tona. Esta faz o seu papel, o público deveria checar mais o conteúdo de informações que recebe diariamente. Imagine vc nessa situação, Vc gostaria de ser massacrado de uma noite para o dia seguinte? Eis a questão.

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