Joalheria HStern diz à PF que joias vendidas a Cabral eram pagas com dinheiro vivo

A diretora comercial da HStern, Maria Luiza Trotta, afirmou em depoimento à Polícia Federal que levava jóias, anéis de brilhante e pedras preciosas, na residência de Sérgio Cabral (PMDB), para que o ex-governador e sua mulher, a advogada Adriana Ancelmo, fizessem uma ‘seleção’ da peça a ser escolhida. Segundo ela, os pagamentos era feitos em dinheiro vivo.
“Chegou a vender jóias no valor de até R$ 100 mil a Sérgio Cabral, tais como anéis de brilhante ou outros tipos de pedras preciosas, sendo o pagamento ainda que em tais quantias realizado em dinheiro”, afirmou Maria Luiza Trotta, que declarou trabalhar na HStern há 34 anos.
O depoimento da diretora da joalheria foi prestado em 17 de novembro, dia da deflagração da Operação Calicute, que prendeu Sérgio Cabral preventivamente. O ex-governador está em Bangu 8.
No mesmo dia, Sérgio Cabral também prestou depoimento à PF e afirmou categoricamente que ‘não se lembrava’ de ter adquirido joias.
De acordo com a diretora, o dinheiro em espécie era levado a uma loja da joalheria, em Ipanema, por Carlos Miranda – apontado pela Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato, como o ‘homem da mala’ de Sérgio Cabral.
A testemunha revelou à PF que passou a atender ‘pessoalmente’ o peemedebista quando ele ainda estava no comando do Governo do Rio, em 2013. Sérgio Cabral foi governador em dois mandatos, entre 2007 e 2014.
“Os atendimentos feitos pela declarante a Sérgio Cabral sempre foram feitos no interior da residência deste; que, os atendimentos eram agendados com a declarante por Carlos Miranda ou algum outro/a secretário/a de Sérgio Cabral; que, a declarante então, nesses encontros na casa de Sérgio Cabral levava joias de amostragem, as quais eram selecionadas ou não pelo próprio Sérgio Cabral ou por sua esposa”, contou a diretor da HStern.
Segundo Maria Luiz Trotta, o ex-assessor de Sérgio Cabral ‘ou outros portadores não identificados do dinheiro em espécie eram dirigidos à tesouraria’. A diretora não soube informar sobre a emissão de notas fiscais.
“Todas as joias tinham certificados que eram entregues a Sérgio Cabral e/ou esposa, sendo certo que a empresa não guarda cópia de tais certificados por questão de confidencialidade”, declarou.
A PF exigiu de Luiza Trotta em 24 horas ‘todas as cópias de notas ficais de venda realizadas entre H. Stern e Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo’.
A diretora informou que Carlos Bezerra, a quem a PF atribui o papel de operador de propinas de Cabral, pode ter atuado ‘como portador de valores de pagamentos de joias compradas pelo ex-governador’.
Em depoimento à PF, no dia em que foi preso, Sérgio Cabral declarou que ‘não se recorda’ das compras das joias. O peemedebista se disse também ‘indignado’ com as ‘mentiras’ dos delatores que afirmaram ter pago propinas a ele e seus aliados referentes às grandes obras do governo do Rio.

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