Gilmar acusa o MP de instalar escutas ilegais em Brasília

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a criticar na tarde desta terça-feira a atuação do Ministério Público. Durante um julgamento na Segunda Turma, o ministro afirmou que a Procuradoria-Geral da República mantém 2.800 procedimentos de investigação criminal sem qualquer controle do Judiciário.
“Isso virou um pouco terra de ninguém. Hoje há um festival de investigações sem controle judicial. Fala-se que há 2.800 procedimentos de investigação criminal sem nenhuma figura de controle”acusou o ministro.
Gilmar também disse que o Ministério Público teria instalado escutas telefônicas no Distrito Federal de forma ilegal.
O ministro defende ampla investigação dentro do Ministério Público sobre a implantação de escutas sem autorização da justiça.
“Todos os que têm poder tendem a abusar deles. É o que estamos verificando” declarou.
Ataque a Janot
Na última segunda-feira, durante uma entrevista à Rádio Gaúcha o ministro do STF Gilmar Mendes bombardeou o procurador-geral Rodrigo Janot  “Quanto a Janot, eu o considero o procurador-geral mais desqualificado que já passou pela história da Procuradoria. Porque ele não tem condições, na verdade não tem preparo jurídico nem emocional para dirigir algum órgão dessa importância”, avaliou o ministro.
A declaração foi dada em meio a questionamentos sobre o trabalho da Operação Lava Jato, da atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do STF. Mendes, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), critica as delações premiadas.
Na entrevista, o ministro disse acreditar que o que foi firmado com os executivos da JBS, que embasou denúncia por corrupção contra o presidente Michel Temer, será revisto.
“Tenho absoluta certeza de que o será. Como agora a Polícia Federal acaba de pedir a reavaliação do caso do Sérgio Machado, que é um desses casos escandalosos de acordo. Certamente vai ser suscitado em algum processo e será reavaliado”, complementou Gilmar.
No fim do mês de junho, o STF decidiu manter Fachin na relatoria dos processos da JBS e aprovar a homologação da delação premiada dos executivos da empresa pelo ministro monocraticamente, sem a participação dos outros ministros da Corte.
Mendes concordou com a manutenção de Fachin, mas defendeu que o Ministério Público não pode ter todo o poder sobre o acordo de delação premiada. Segundo ele, a homologação deve ser feita pelo colegiado de ministros.
Ainda na entrevista à Gaúcha, Gilmar Mendes disse que considera a Lava Jato importante. Porém, acrescenta que podem ocorrer equívocos.

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