FUX: ‘há um clima artificial de solidariedade’ por Aécio

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux criticou o “clima artificial de solidariedade e comiseração” que, segundo ele, foi criado em torno do senador Aécio Neves (PSBD-MG). Em entrevista à Rádio CBN nesta quinta-feira, Fux comentou que o senador já havia sido afastado anteriormente do mandato, mas que só agora surgiram manifestações de revolta contra a decisão do STF.
“Esta situação já existiu antes. Ele (Aécio) já havia sido afastado de suas funções e não houve essa irresignação, esse clima artificial de solidariedade e comiseração ” disse o ministro.
Na última terça-feira, a Primeira Turma do STF, da qual o ministro Fux faz parte, determinou a suspensão do mandato do senador mineiro, bem como o recolhimento domiciliar noturno do parlamentar, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Fux votou pelo afastamento de Aécio. Ele justificou seu voto com base no princípio da isonomia.
— Entendemos, naquela oportunidade do julgamento, que não seria isonômico que todos aqueles que seguiram as ordens do senador estivessem cumprindo medidas restritivas e ele, que figurava, pelo menos no início, como mandante daqueles atos, não sofresse nenhuma medida de restrição.
O ministro também comentou as críticas de Gilmar Mendes, seu colega de Corte. Mendes havia dito que os colegas estavam tendo um “comportamento suspeito” e que o “populismo constitucional” deve ser evitado.
“Essa decisão (de suspender o mandato de Aécio) é originária da Segunda Turma, da qual Gilmar faz parte.”
Fux apontou que existem elementos que sustentam a decisão do STF.
“Aqui foi identificada a voz do senador, foi filmado o intermediário que foi indicado para receber o dinheiro e isso se revelou uma conduta incompatível com o mandato” explicou o ministro, que continuou: — O senador terá direito ao devido processo legal, poderá comprovar, como ele diz, que foi um empréstimo de um amigo. Mas, a verdade é que esse amigo hoje já se verifica que era um homem com trânsito na área política e que fazia favores a políticos com dinheiro da sociedade.
Em um áudio entregue em maio pelo dono da JBS Joesley Batista à PGR, o senador aparece pedindo R$ 2 milhões ao empresário, sob a justificativa de que precisava da quantia para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato. O diálogo gravado durou cerca de 30 minutos.
O empresário quis saber quem seria o responsável por pegar as malas de dinheiro. Deu-se, então, o seguinte diálogo:
“Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança” propôs Joesley.
“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara” respondeu Aécio.
O presidente do PSDB indicou um primo, Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. Fred, como é conhecido, foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014. Tocava a área de logística.
Quem levou o dinheiro a Fred foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos delatores da JBS. Foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma. A PF filmou uma delas.

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