‘Pós em esquerdismo’ anuncia Dilma, Stédile e Boulos como professores

Quando foi às redes sociais para anunciar o curso “A Esquerda no Século 21“, o deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) fazia ideia que a pós-graduação, em Chapecó (SC), atrairia interessados, mas não tantos a ponto de ter que adiar sua data de início.
As 510 inscrições para 50 vagas recebidas em duas semanas levaram o parlamentar, idealizador da especialização lato sensu, e o instituto que irá oferecê-la a transferirem a primeira aula de 14 de julho para 4 de agosto.
Com professores como a ex-presidente Dilma Rousseff (que foi convidada e tem o nome divulgado nos anúncios, mas ainda não confirmou participação) e o líder nacional do MST, João Pedro Stédile, o curso ganhou logo a alcunha de “pós em esquerdismo”, apelido que Uczai rechaça.
Dilma é anunciada, ao lado do ex-governador gaúcho e colega de partido, Olívio Dutra, como titular da matéria “Partidos Políticos e a Esquerda Brasileira”. Outras disciplinas tratam, por exemplo, de luta de classes, teoria revolucionária e agenda ambiental.
“O objetivo é parar, sistematizar e compreender as experiências históricas no país e na América Latina”, diz o idealizador, que também leciona na pós. “Principalmente agora, com a quebra do processo democrático no Brasil [impeachment]. Vamos refletir criticamente. Não é para puxar saco do PT ou de alguém do nosso governo.”
“Tem que fazer autocrítica”, diz a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), outra professora. “Política e história não podem ser dogmas. É preciso sempre discutir erros e acertos.”
O teólogo Leonardo Boff, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, e o sociólogo Emir Sader também estão no corpo docente.
‘VITIMISMO’
Entre os comentários nas redes sociais, houve a provocação de que algumas das disciplinas seriam “introdução ao vitimismo” e “estocamento de vento” (em alusão a discurso de Dilma sobre o tema).
“A direita tá preocupada com a esquerda? Ou quer ridicularizar?”, reage o deputado. “Só a direita pode pensar o futuro do Brasil e do mundo? Aí é ditadura. Na democracia as duas têm que conviver.”
O curso terá duração de um ano e será autofinanciado, segundo a organização —custa por pessoa R$ 7.200 (valor que pode ser parcelado em até 24 vezes). Agora, uma seleção vai decidir quem entra.
Serão levados em conta critérios raciais e de gênero, além de indicação de “entidade ligada à classe trabalhadora” e da “atuação em organização social e política”.
A remuneração dos professores será de R$ 300 por hora/aula, em média. Alguns, como o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), já falaram em abrir mão do pagamento, segundo Uczai. O dinheiro, diz, será usado na concessão de bolsas.
As aulas serão no Instituto Dom José Gomes, com certificados emitidos pelo Instituto de Filosofia Berthier, credenciado pelo MEC. A Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, e a Universidade Federal da Fronteira Sul são apoiadoras.
Pelo menos uma das aulas de professores que atraem mais público, como Dilma e Wyllys, será feita em auditório com espaço para 1.100 pessoas. “Vai ter preço simbólico, tipo cinco ‘pila’. Para ajudar na logística, pôr telão”, explica o deputado, que se diverte com o posto de garoto-propaganda: “Sou o Tony Ramos da pós, não da Friboi”. (Conteúdo Folha)

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