Espírito olímpico contagia Seul e Pyongyang

Kim Jong-un convida presidente sul-coreano a visitar Coreia do Norte. Seul rejeita pressão japonesa.
O convite que a irmã de Kim Jong-un transmitiu ontem ao presidente sul-coreano, Moon Jae-in, para este visitar Pyongyang, é o mais recente passo no recente tom reconciliatório entre as Coreias. A realizar-se, será a primeira cimeira entre os líderes dos dois países em mais de dez anos, e marcará uma mudança nas relações, após anos de tensão causada pelos testes nucleares de Pyongyang. Mas os analistas advertem que a cartada diplomática do ditador norte-coreano poderá ter apenas como objetivo enfraquecer a política de pressão dos Estados Unidos e do Japão e sair do isolamento internacional.



Da reunião de três horas entre a delegação norte-coreana liderada pelo chefe de Estado honorífico, Kim Yong-nam, e a delegação sul-coreana, com Moon Jae-in à cabeça, fica o convite que Kim Yo-jong , a irmã de Kim Jong-un, endereçou verbalmente, mas também através de uma carta escrita pelo líder norte-coreano. “O presidente Moon respondeu dizendo que os dois lados devem trabalhar para criar condições adequadas para realizar a reunião”, disse o seu porta-voz, Kim Eui-kyeom. Informou ainda que Moon pediu para a Coreia do Norte reabrir o diálogo com os EUA e que as Coreias mantenham conversações.
As Coreias – que após a guerra de 50-53 não assinaram um tratado de paz – realizaram cimeiras entre os líderes em 2000 e 2007.
O espírito olímpico, que tomou forma com os dois países a atuarem sob a mesma bandeira nos Jogos de Inverno (ver página 35), já teve consequências. No encontro entre Moon e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, o presidente sul-coreano recusou o apelo do nipônico para Seul iniciar o quanto antes exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos. Da reunião, realizada antes do encontro com a irmã de Kim Jong-un, soube-se que Moon “disse que não era apropriado para o primeiro-ministro falar diretamente no assunto”, noticia a agência Yonhap.
Seul reage
O Partido Democrata, no poder, recebeu a proposta do encontro como uma ocasião histórica para a reconciliação. Ainda mais efusiva mostrou-se a nova formação Partido para a Paz e Democracia. “Não há maneira melhor de resolver os problemas inter-coreanos do que um encontro entre os dois líderes”, disse o porta-voz do partido, Choi Kyung-hwan.
Os outros partidos mostraram desconfiança sobre as intenções de Pyongyang. “O presidente Moon Jae-in e o seu governo estão a ser levados ao engano, um passo após o outro, na ofensiva de paz disfarçada da Coreia do Norte”, disse a deputada Jun Hee-kyung, do Partido da Liberdade, o maior da oposição. Já o Partido Popular aconselhou o presidente a “não ter motivos para se apressar para uma nova cimeira inter-coreana”. “Só pode haver uma cimeira quando o Norte prometer abandonar o programa nuclear”, afirmou a porta-voz, Lee Haeng-ja.

 



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