Populismo continua no Equador com a vitória do candidato governista Lenín

O candidato governista, Lenín Moreno, venceu o segundo turno da eleição presidencial no Equador, realizado neste domingo (2). O candidato opositor de direita, Guillermo Lasso, porém, chamou de “pretensões de fraude” o resultado, antes de anunciar a intenção de “impugnar” a apuração.
A vitória do candidato do atual presidente Rafael Correa representa um respaldo à esquerda latino-americana (abalada após a guinada à direita no Brasil, Argentina e Peru), assim como um alívio para o fundador do Wikileaks, Julian Assange.
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Lenin (direita) com presidente do Equador Rafael Correa Moreno
“Isto apenas começa. Daqui para a frente todos a trabalhas pelo país, por nosso amado Equador. O faremos em paz e harmonia”, afirmou, ao celebrar a vitória em Quito, Moreno, vítima de paraplegia desde que foi atingido por um tiro durante um assalto em 1998.
Com 98,88% das urnas apuradas pelo Conselho Nacional Eleitoral do Equador, o candidato governista, aspirante pelo movimento socialista Aliança País (AP), tem 51,15% dos votos válidos, contra 48,85% do opositor de direita Guillermo Lasso, ex-executivo do setor bancário e candidato pelo partido Criando Oportunidades (CREO).
Pouco depois do fim do horário de votação, dois institutos de pesquisa divulgaram bocas de urna com resultados opostos e os dois candidatos reivindicaram a vitória, o que espalhou incerteza no país.
Mas com o avanço dos resultados oficiais parciais que apontavam sua derrota por uma pequena margem, o opositor Lasso, ex-presidente do Banco de Guayaquil, denunciou “pretensões de fraude” e anunciou que os assessores legais de sua candidatura “apresentarão no menor tempo possível todas as objeções” ante eventuais irregularidades nas eleições do Equador.
E enquanto seus partidários protestavam diante da sede do CNE em Quito e em outras cidades, com pequenos distúrbios, para exigir transparência na apuração, Moreno, ex-vice-presidente cujo estilo conciliador contrasta com o temperamental Correa, discursou paara simpatizantes na sede de seu partido na capital equatoriana.
PAÍS DIVIDIDO
Moreno, cujo partido obteve maioria absoluta na Assembleia Nacional no primeiro turno de 19 de fevereiro, herdará um país dividido politicamente, abalado pela prolongada queda do preço do petróleo, muito endividado, com desemprego crescente e lato custo para o consumidor.
Além disso, o socialista precisa recuperar a confiança da classe média.
“Moreno enfrentará dois desafios: começar seu governo com um desgaste forte e com uma situação econômica de vacas magras”, disse o cientista político Esteban Nicholls, da Universidade Andina do Equador.
“Terá que fazer algum tipo de ajuste, já que endividar-se mais é cada vez mais difícil. Poderia criar mais impostos, mas isto o deixaria em tensão com alguns setores”, completou.
Walter Spurrier, presidente da empresa de consultoria Spurrier, destacou que Moreno vai encontrar um “problema fiscal muito importante”, calculado entre 5% e 6%, em consequência do disparo dos gastos públicos do governo.
“Terá que ver de que maneira vai reduzir os custos de produção no país, porque o Equador se tornou um país muito caro no entorno dos países que têm mesma produtividade.
Correa, que graças ao boom do petróleo modernizou com seu “Socialismo do século XXI” um país com fama de ingovernável, se uniu à celebração do triunfo de Moreno.

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