Elon Musk quer levar primeiros turistas espaciais à órbita da Lua

Ir mais além é o lema do multimilionário americano e patrão da Space X, que está a desenvolver o novo superfoguetão para viagens espaciais tripuladas mais ambiciosas. A Lua volta a estar nos planos da NASA
Lua vai regressar à agenda espacial em 2018 ou, pelo menos, assim parece. Depois de o multimilionário norte-americano e patrão da empresa americana Space X ter anunciado em fevereiro que tenciona levar no final do próximo ano os primeiros dois turistas espaciais da história a fazer um voo em torno da Lua passar para o lado de lá, para olhar a face oculta que ela esconde permanentemente dos nossos olhos terrestres -, o presidente dos Estados Unidos também resolveu, mais recentemente, apontar à Lua. Fê-lo de forma algo inesperada, há poucos dias, a 11 de dezembro.



O objetivo é que os Estados Unidos voltem a pisar a Lua, mas agora de forma menos efémera, com os pés mais assentes no chão… lunar. “Desta vez, não colocaremos apenas a nossa bandeira ou deixaremos só ali a nossa pegada”, disse Donald Trump. “Estabeleceremos a fundação para uma eventual missão a Marte e talvez, um dia, para muitos outros mundos, mais além.” Como será na prática é que o presidente norte-americano não esclareceu ainda. Nem tão-pouco se sabe o que vai mudar em concreto na NASA para que o novo objetivo Lua se torne realidade palpável a breve prazo.
Seja como for, a escolha da altura para o anúncio de Donald Trump e para a assinatura da diretiva que redireciona os planos espaciais dos Estados Unidos, a serem levados à prática pela NASA não podia ter um simbolismo mais forte: nesse dia assinalou-se o 45.º aniversário da alunagem da Apollo 17, a derradeira missão do programa Apollo, que durante a década de 60 e os primeiros anos da década de 70 do século passado fez sonhar a América e o mundo.
A Lua, portanto. Para a NASA trata-se de um regresso, embora nesta altura não se saiba ainda quase nada sobre a forma como as coisas vão acontecer, com que orçamento, ou em que calendário. Já os dois turistas espaciais (a sua identidade não foi revelada) anunciados por Elon Musk vão ter de pagar os seus próprios bilhetes – o patrão da Space X não divulgou quanto custará a passagem a cada um deles, mas atualmente também não é claro se Musk vai conseguir manter a sua promessa, devido a alguns atrasos nos planos da Space X. Nomeadamente o da estreia do seu superfoguetão Heavy Falcon 9, cujo primeiro lançamento chegou a estar aprazado para este ano (agora prestes a terminar), mas que foi sendo adiado e está agora planeado para janeiro de 2018, em dia ainda não divulgado.
Sem o Heavy Falcon 9, o mais poderoso lançador desde que o gigantesco Saturno V permitiu realizar as viagens à Lua do programa Apollo, os planos de passar para além da órbita terrestre não poderão concretizar-se. A ideia é usar o Heavy Falcon 9 para lançar no espaço a cápsula espacial desenvolvida pela Space X para estas viagens, a Dragon V2, a bordo da qual viajarão os turistas-astronautas.
Se tudo correr sobre rodas e o próprio Elon Musk admitiu há dias que pode acontecer algum imprevisto no primeiro lançamento do seu superfoguetão , e se o primeiro projeto de levar turistas para lá da órbita terrestre se concretizar já em 2018, esse tornar-se-á sem dúvida um marco na história do turismo espacial, que passará de vez para esse novo patamar: o da saída da órbita da Terra em viagens de lazer, para ir mais além, só pelo prazer de viajar no espaço.




Caso contrário, é de esperar na mesma que se entre numa nova fase neste setor, com a oferta de mais bilhetes, e de forma mais regular, para turistas espaciais, por parte desta e de outras empresas privadas norte-americanas. Será o que se pode chamar a primeira fase de “massificação” do turismo espacial. Quer Elon Musk consiga colocar dois turistas milionários a olhar para o lado oculto da Lua no final do próximo ano quer não, o facto é que ele e a sua Space X não são os únicos a apostar neste novo mercado das viagens espaciais. Por isso, e pelo menos até à órbita da Terra (o que já não é pequena aventura), elas deverão conhecer um novo impulso já em 2018. E , pelo menos, uma certeza existe: a competição está muito renhida.
Nesta corrida, outros participantes fortes são a também norte-americana Blue Origin, de Jeff Bezos, e a Virgin Galactic, do britânico Richard Branson. Este último está também a apontar para iniciar os seus voos de lazer até ao final de 2018, enquanto Bezos acredita que 2019 será um horizonte temporal mais realista para lançar a sua oferta. Em comum, os dois têm planos para oferecer essa experiência única aos futuros turistas astronautas usando aeronaves de seis lugares capazes de voar até uma altitude suborbital (cerca de cem quilómetros acima da superfície terrestre), onde os efeitos da gravidade zero já se fazem sentir – as pessoas flutuam no interior do veículo. A experiência terá a duração de alguns minutos, após o que o veículo regressa à superfície terrestre.
Bezos e a sua Blue Origin, publicaram aliás, há dias, um vídeo em que usaram manequins, e que é a antevisão da viagem espacial turística que pretende fornecer em breve a quem tiver dinheiro para pagar o bilhete – o montante também não foi divulgado mas, pela lógica, deverá ser mais acessível do que uma viagem de ida e volta com vista para a face oculta da Lua. A viagem no vídeo da Blue Origin tem a duração de 11 minutos, sensivelmente a mesma que terá quando for a sério.
Quanto ao voo, que está a ser planeado pela Virgin Galactic, serão usadas duas aeronaves: uma maior capaz de ir até altitudes suborbitais, que leva acoplada uma mais pequena, onde viajam os passageiros, e que aterra depois autonomamente. Os testes já realizados parecem apontar para que a empresa possa iniciar os voos reais em 2018, como planeado.
O primeiro turista espacial – que não se identificou nada com esse rótulo e preferiu designar-se a si próprio como “explorador” e “pioneiro” – foi o multimilionário norte-americano Dennis Tito, que em 2001 pagou 20 milhões de dólares (pouco mais em euros) por uma estada de oito dias a bordo da estação espacial internacional ISS, com viagem de ida e volta incluída, a bordo de uma nave russa Soyuz.
Depois disso, e durante essa década, até 2009, outros seis milionários compraram bilhetes para pernoitar por idênticos períodos na ISS, com as viagens sempre asseguradas pelas naves Soyuz, e mediante bilhetes de valores parecidos e mais caros, pagos à agência espacial russa. Depois de Tito, foi a vez do inglês e sul-africano Mark Shuttlewort, logo no ano seguinte. Seguiu-se-lhe, em 2005, o americano Gregory Olsen, a americana e iraniana Anousheh Ansari em 2006, o americano e húngaro Charles Simonyl, que viajou para órbita em 2007 (e que bisou em 2009 e foi o único a fazê-lo), o americano e britânico Richard Garriott em 2008 e, finalmente, o canadiano Guy Laliberté, que em 2009 esteve durante 11 dias na ISS e pagou algo como 40 milhões pela viagem.
Depois disso, com o aumento do número de astronautas e cosmonautas fixos na tripulação da ISS, esse turismo espacial cessou. E o que aí vem agora, fornecido pelas empresas privadas noutros moldes, ainda está para arrancar. Se tudo correr como está planeado, isso está prestes a acontecer, já no próximo ano.



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