Ex-marqueteiro de Lula negocia delação e cita caixa 2 em campanha de Skaf

O ex-marqueteiro da campanha vitoriosa de Lula em 2002, Duda Mendonça informou ao Ministério Público Federal que recebeu da Odebrecht, por meio de caixa dois, parte dos pagamentos de trabalhos realizados na campanha de Paulo Skaf (PMDB), ao governo de São Paulo, em 2014.
O peemedebista preside a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
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Marqueteiro Duda Mendonça
A confissão do recebimento de recursos não declarados à Justiça Eleitoral faz parte de uma tentativa de delação premiada que o marqueteiro vem negociando com procuradores há cerca de dois meses.
Duda decidiu procurar a PGR (Procuradoria-Geral da República) depois de ser informado que seu nome e o episódio constarão na delação da empreiteira Odebrecht na Operação Lava Jato.
A construtora teria repassado o dinheiro para a campanha política do então candidato peemedebista para quitar despesas de marketing, por meio do Setor de Operações Estruturadas, que, segundo as investigações, seria o departamento de propinas da empreiteira.
O marqueteiro foi representado por advogados no Ministério Público Federal em duas ocasiões até o momento.
Na primeira vez os advogados apresentaram o interesse do marqueteiro em fazer um acordo e, na segunda, levaram um escopo do conteúdo com que Duda poderá colaborar com os investigadores da Lava Jato.
A PGR, porém, ainda não se manifestou efetivamente sobre se aceitará a delação. Dependerá de quão relevante serão as informações prestadas, na opinião dos procuradores, como em todas as propostas que chegam.
De acordo com a prestação de contas de Skaf em 2014 registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Votemim Escritório de Consultoria Ltda, de Duda Mendonça e outros sócios, recebeu sete pagamentos oficiais, totalizando o montante de R$ 4,1 milhões.
A conta dos serviços de marketing da campanha, porém, superou este valor segundo apurou a Folha. O restante foi desembolsado para Duda por meio de caixa dois.
O então candidato foi informado na época que o PMDB nacional ficaria responsável pelas negociações dos pagamentos pendentes, o que foi acertado com a Odebrecht.
Na eleição, Skaf ficou em segundo lugar, perdendo já no primeiro turno para Geraldo Alckmin (PSDB).Antes de cuidar do marketing de Skaf, Duda trabalhou na campanha presidencial vitoriosa de Lula em 2002.O marqueteiro foi absolvido das acusações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas no processo do mensalão.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal concluíram em 2012 que Duda não teria como saber se era ilícita a origem de R$ 10,5 milhões pagos na campanha.Na época, ele também se antecipou às ações da Justiça e apareceu de surpresa para dar um depoimento na CPI dos Correios.
A investigação daquela época não contou com delações. Duda disse na ocasião que havia recebido parte de seus pagamentos por meio de Marcos Valério de Souza, o operador do mensalão, dinheiro que também não foi declarado à Justiça Eleitoral.
Os valores foram repassados a uma conta em um paraíso fiscal no exterior.Na absolvição, o ministro Ricardo Lewandowski, afirmou que “estava claro que o objetivo não era fazer branqueamento de capitais, mas receber débitos lícitos”.Na 35ª fase da Lava Jato, em setembro, a PF tentou cumprir mandado de condução coercitiva de um dos diretores de uma das empresas de Duda, José Eugênio de Jesus Neto, mas ele estava fora do Brasil. Jesus Neto apareceu em relatório do Ministério Público Federal como tendo sido receptor de dinheiro em espécie da Odebrecht.
QUEM É DUDA MENDONÇA
2002
Depois de ter eleito Paulo Maluf e Celso Pitta prefeitos de São Paulo nos anos 1990, o marqueteiro leva Lula ao Planalto adotando o mote “Lulinha paz e amor”
2005
Quando estoura o escândalo do mensalão, Duda admite à CPI dos Correios ter recebido, via caixa dois, US$ 5 milhões do PT no exterior pela campanha de Lula2010
Trabalha nas campanhas ao Senado da então petista Marta Suplicy (hoje no PMDB) e de Lindberg Farias (PT). Em 2008 também ajudou a eleger prefeitos pelo país
2012
Acusado de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, é absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, que julgou não haver provas de que sabia da origem ilícita dos recursos
2014
Coordena as campanhas de Paulo Skaf (PMDB) ao governo do Estado de São Paulo e do ex-senador Delcídio do Amaral ao governo do Mato Grosso do Sul.(Folha)

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