Doleira condenada por corrupção quer processar filme sobre Lava Jato

A doleira Nelma Kodama, ex-amante do doleiro Alberto Youssef e primeira pessoa presa na Operação Lava Jato, já acionou seus advogados para pedir participação nos lucros do filme “Polícia Federal – A Lei É para Todos” pelo uso de sua imagem. Caso ganhe, ela pretende doar o dinheiro para a creche Casa da Criança Higino Penasso, em Canarana, no Mato Grosso, que leva o nome do seu avô.
A produção do filme afirma que ainda não foi notificada sobre a pretensão e diz que preparou “orçamento e advogados” para possíveis ações na Justiça.
A Doleira
Nelma Kodama, em março de 2014, seu nome veio a público pela primeira vez quando foi presa ao tentar embarcar para a Itália com 200.000 euros escondidos na calcinha (ela nega, diz que as notas estavam no bolso da calça). Na ocasião, a doleira namorava um delegado da Polícia Civil de São Paulo, a quem acusa de ter feito a denúncia anônima que lhe rendeu o flagrante, um par de algemas e sua primeira estada na cadeia. Já condenada pela Lava Jato a quinze anos de prisão por lavagem de dinheiro, organização criminosa, evasão de divisas e corrupção ativa, ela depôs na CPI da Petrobras e deu uma mostra de sua expansividade ao cantarolar diante dos parlamentares a música Amada Amante, de Roberto Carlos, para definir a natureza do relacionamento que manteve com o também doleiro e réu da La­va Jato Alberto Youssef.
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Doleira Nelma Kodama, que ficou conhecida ao tentar embarcar com 200 mil euros na calcinha no aeroporto de Guarulhos, presa em flagrante pela Polícia Federal em 2014, participou de um ensaio fotografico
Desde ano passado, Nelma cumpre pena em prisão domiciliar em um apartamento de 500 metros quadrados em São Paulo avaliado em 6 milhões de reais, já confiscado pela Justiça. Com uma tornozeleira eletrônica presa na perna esquerda, passa o dia ouvindo música, lendo processos, trocando mensagens com advogados ainda responde a quinze inquéritos, Ela detalha crimes que envolvem operadores do câmbio negro paulista. Endividada e com os bens que lhe restam bloqueados, ela reclama de não ter dinheiro “nem para comprar pão na padaria”. Só o seu ex-­advogado Mardem Maues lhe cobra 1 milhão de reais em honorários
Nelma tem 50 anos, nasceu na cidade de Taubaté, no interior de São Paulo, e é descendente de japoneses e italianos. Conta que, quando completou 17 anos, fez um intercâmbio nos Estados Unidos e passou a “amar as notas de dólar”. Desde a viagem, só faz cálculos na moeda americana. Filha de uma dentista e um administrador de empresas, formou-se em odontologia e especializou-se em endodontia. Foi para São Paulo aos 27 anos, com um Kadett vermelho e 700 dólares na bolsa. Na capital, alimentava o sonho de ficar rica. Logo viu que o atendimento em consultórios da periferia, sua atividade inicial na cidade, não a levaria aonde queria chegar. A carreira de doleira começou por intermédio do ex-­noivo, sócio oculto de uma agência de câmbio e turismo em Santo André e cunhado do ex-juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, condenado na Operação Anaconda por participar de um esquema de venda de sentenças. No início de 2000, receoso de trombadas com a Justiça, o noivo foi-se embora para Cuiabá, largando os negócios e Nelma. Esperta e ambiciosa, a então dentista percebeu que a agência poderia ser sua mina de ouro. Assumiu o negócio, montou uma quadrilha e passou a operar uma formidável engenharia de remessas ilegais de dinheiro para o exterior. No auge da atividade, ela e seu bando chegaram a movimentar 120 milhões de dólares por ano. Para lidar com dinheiro sujo, Nelma abria e fechava empresas no Brasil e no exterior num piscar de olhos. Ficou rica, esbanjou, esbanjou e esbanjou. Fez plásticas, comprou joias, apartamentos, um Porsche Cayman, casa de campo e 53 unidades do Hotel Villa-­Lobos, em São Paulo. Todos esses bens foram confiscados pela Justiça para pagar sua dívida de 12 milhões de reais com a Receita Federal.

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