Delações da Odebrecht nas mãos de Teori

Os documentos dos acordos de delação premiada de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht foram entregues pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) na manhã desta segunda-feira, 19. Os relatos, por escrito ou em vídeo, recolhidos na semana passada, foram armazenados na sala-cofre do STF e estão à disposição do ministro Teori Zavascki, relator dos processos envolvendo a Lava Jato na Corte. Cabe a ele homologar ou rejeitar cada um dos acordos de delação.
A entrega dos documentos aconteceu pouco após as 9h desta segunda-feira, quando recém-havia iniciado a última sessão plenária do ano no Supremo Tribunal Federal. Coube a um servidor da PGR levar os documentos, que foram recebidos por uma servidora. A papelada veio em um carro e entrou pelo estacionamento, passando por todo o tapete vermelho que leva até o elevador do prédio principal do STF. Em seguida, os documentos foram alojados no terceiro andar da casa, na sala-cofre do Supremo. Apenas Teori Zavascki e equipe terão acesso a eles.
Apesar de serem 77 acordos de colaboração, houve centenas de depoimentos. Um volume impossível de se analisar neste que é o último dia de trabalho do Supremo Tribunal Federal em 2016. O recesso começa amanhã. Entretanto, a equipe de assessores e juízes auxiliares de Teori Zavascki pode se debruçar sobre as análises durante o recesso, adiantando o processo de avaliação sobre se as delações cumprem os requisitos para serem declaradas válidas. O objetivo de Teori Zavascki é decidir pela homologação ou não das delações na volta aos trabalhos, em fevereiro.
A delação do ex-executivo tem 82 páginas. O documento revela denúncias de pagamento de recursos de caixa dois para campanhas eleitorais de diversos políticos do PMDB e integrantes do primeiro escalão do governo federal, como o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, homem de confiança de Temer. Também foram citados políticos de diferentes partidos, como PT e DEM. Ex-governador da Bahia e ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Jaques Wagner apareceu no depoimento do ex-executivo, assim como o ex-ministro da Secretaria de Governo de Temer, Geddel Vieira Lima e o líder do governo no Senado, Romero Jucá. O delator cita no depoimento 54 políticos, que considera “estratégicos.”

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