Delação de Palocci é aposta da Lava Jato para pegar Lula

Após o depoimento de ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ao juiz federal Sérgio Moro, que na oportunidade gerou grande expectativa de parte dos brasileiros que sonhava com uma possível prisão do petista, ficaram frustrados, ao verem o ex-chefe da republica esfacelar as indagações do juiz federal e da equipe de procuradores da Lava Jato.
Cinismo ou não, Lula se superou diante do juiz Moro e da Lava Jato, que em certo momento parecia que ex-presidente estava mais preparado para o depoimento do que o próprio juiz federal e a sua equipe, que detenha em suas mãos um turbilhões de acusações, mas sem provas cabais que envolvesse o ex-presidente da republica no esquema de corrupção e no caso do triplex do Guarujá foco do depoimento.
Sem perder a esperança de levar para prisão o ex-presidente da republica, os Procuradores da Lava Jato, focam agora na provável delação premiada do ex-ministro dos governos Lula/Dilma, Antonio Palocci que é alvos das maiores investigações no momento, que envolve o caso BNDES e JBS, além da revelações dos ex-marqueteiros do PT, João Santana e Monica Moura nos esquema de caixa  2 nas campanhas petistas.
A delação de Antonio Palocci é dada como certa entre petistas desde a semana passada. Na abertura da etapa paulista do 6.º Congresso Nacional do PT, na sexta-feira da semana passada, a “traição” do ex-ministro era um dos assuntos principais. Em tom que variava entre a indignação e a resiliência, petistas comentavam que Palocci iria entregar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em troca do acordo com o Ministério Público Federal.
A certeza dos petistas vem de recados dados por pessoas próximas ao ex-ministro da Fazenda (Lula) e Casa Civil (Dilma Rousseff) e também pela lógica da exclusão. Segundo eles, Lula é o único alvo que a Lava Jato ainda não conseguiu alcançar e Palocci, dada a proximidade com o ex-presidente até bem pouco tempo atrás, poderia preencher lacunas que dariam mais solidez às denúncias contra Lula.
A indignação dos petistas com o ex-ministro aumenta diante das suspeitas que pesam contra Palocci. Ao contrário do ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, preso por supostamente operar o esquema de caixa 2 do PT, Palocci é acusado de enriquecimento pessoal.
Sob a condição de sigilo, petistas dizem que o ex-ministro quer preservar seu patrimônio, em grande parte acumulado no período dos governos do partido, ao tentar o acordo de delação premiada.
Preso político. Mesmo assim o PT estadual de São Paulo aprovou um texto no qual Palocci, Vaccari e José Dirceu são tratados como “presos políticos”. Segundo dirigentes, foi uma tentativa de acalmar o ex-ministro.
Dado o amplo acesso que Palocci tinha a Lula, correligionários avaliam que o estrago da delação será grande, podendo levar à inviabilização da candidatura do petista à Presidência em 2018.
‘Não sei’. Já no entorno de Lula a torcida é para que o ex-ministro poupe o ex-presidente. Um ex-auxiliar do círculo mais próximo ao petista disse esperar que Palocci diga somente a “verdade”.
E a “verdade”, segundo essa fonte, é que o “ex-presidente Lula sempre disse para ele cuidar desse negócio (de dinheiro para campanhas), que não queria saber de onde veio o dinheiro e que o PT que se virasse para financiar seus candidatos”.
De acordo com interlocutores de Lula, Palocci e depois Guido Mantega foram encarregados de gerenciar o caixa 2 petista justamente para preservar e blindar o ex-presidente.
Outra certeza petista é que a delação de Palocci vai ampliar muito o escopo da Lava Jato trazendo para o olho do furacão setores do empresariado nacional com quem o ex-ministro tinha grande proximidade e que até então passaram ilesos pelas investigações de Curitiba. O principal deles é o setor financeiro.

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