cidadão que assinou anticorrupção está correndo risco se for aprovada, diz Mendes

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes disse que não se pode “canonizar” os integrantes da força tarefa da Lava Jato. Ele voltou a criticar o que classificou de “abusos” e disse que foi crítico quando os procuradores decidiram “assumir o papel de legislador”, ao proporem as medidas contra a corrupção.
Perguntado sobre sua posição a respeito da Lava Jato, disse que é um dos maiores defensores da operação, mas que mantém posição crítica. “Não defendo abusos e não concordo quando os membros da Lava Jato decidem assumir o papel de legislador, aí claro que eu sou crítico”.
Gilmar Mendes disse que examinou o pacote anticorrupção e constatou que o cidadão corre o sério risco de ser vítima das medias de combate a corrupção já que a proposta acabava com habeas corpus. ” Examinei essas propostas e critiquei a que acabava com habeas corpus. O cidadão que assinou isso obviamente não sabe que ele próprio está correndo risco se a proposta for aprovada. Acho que a Lava Jato cumpre papel importantíssimo. Disse isso no Congresso Nacional. Só vamos ter reforma política graças à Lava Jato, que colocou todo o sistema político e o sistema econômico-financeiro exposto. Essa é uma grande vitória. Daí a canonizá-los, a deificá-los, vai uma distância.”
CRÍTICAS AO COLEGA
No inicio desta semana Gilmar Mendes, bateu de frente com o seu colega ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) afirmando Luiz Fux deveria “fechar o Congresso de uma vez e dar a chave ao procuradores da Lava Jato”. A reação de Mendes foi uma liminar concedida pelo ministro Fux que determinou que a Câmara dos Deputados vote novamente o projeto anticorrupção que foi apresentado ao parlamento por meio de uma proposta de iniciativa popular.
Mendes continuou o disparo em direção ao seu colega de Corte “É mais fácil então ele substituir o Congresso pela equipe da Lava Jato” segue. “Todos sabem que o projeto foi feito pela equipe da Lava Jato e quer atende a interesses de empoderamento dessa equipe. Fux então deveria entregar a chave do parlamento a eles”, finaliza o magistrado.
Ao jornal Estado de São Paulo Gilmar Mendes chegou a chamar a decisão do ministro Fux de’AI-5 do judiciário’ o que obriga o parlamento a cumprir decisão de outro poder. O AI-5 referido por Mendes foi  (Ato Institucional número 5)  o quinto decreto emitido pelo governo militar brasileiro (1964-1985). Foi considerado o mais duro golpe na democracia e deu poderes quase absolutos ao regime militar.

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