Morre o capitão do tri Carlos Alberto Torres

Aos 41 minutos do segundo tempo, os brasileiros venciam por 3 a 1 e os italianos buscavam um gol para colocar pressão nos minutos finais e tentar um empate que levasse o duelo à prorrogação. Foi quando a seleção comandada por Zagallo armou um contra-ataque perfeito. A jogada passou pelos pés de meio time antes de chegar a Pelé, que viu Carlos Alberto avançar, livre, pela direita, em direção à área italiana.

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O Rei rolou, mansamente, para o capitão da seleção, que disparou um petardo, indefensável para o goleiro Albertosi. Foi o golpe final na Azzurra, a certeza do tricampeonato para o Brasil.

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O melhor chute da vida de Carlos Alberto, morto nesta terça-feira (25), o chute que o celebrizou, juntamente com um gesto alguns minutos depois, nas tribunas do Azteca. E um chute que, conforme relato do Capitão do Tri, não ocorreu por mera casualidade.

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“Aquela foi uma jogada que nós sabíamos que poderia acontecer. O posicionamento defensivo deles (italianos) era aquele. Então, quando eles foram para o ataque, o jogo estava 3 a 1, e nós tiramos a bola, a defesa deles estava posicionada exatamente como o Zagallo mostrou para nós. Aí eu prestei atenção, o Pelé prestou atenção, todo mundo prestou atenção, foi por isso que eu apareci ali.”

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Ao afirmar que os jogadores sabiam “que poderia acontecer”, o camisa 4 se referia às orientações do treinador na véspera da decisão, na preleção à equipe.
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Fez, e é o único capitão de uma equipe campeã mundial a balançar as redes na final da Copa. Vibrou com os colegas e passou desde aquele momento a se imaginar recebendo a Jules Rimet. Um momento marcante, pela emoção e pelo gesto que eternizou: o beijo na taça, repetido por todos os capitães campeões desde então.
“Me deu uma vontade, sem pensar, de beijar a taça. Foi a primeira vez que alguém beijou a taça, e hoje todo mundo faz. Então eu fui pioneiro: beijar antes de erguer e passar para os companheiros.”
Depois, todos deram a volta olímpica.
O gol e o gesto de Carlos Alberto simbolizam a seleção brasileira que mais encantou na conquista de uma Copa do Mundo.
Nenhum dos times campeões nas outras vezes (1958, 1962, 1994 e 2002) contou com um conjunto de jogadores tão fabulosos, especialmente do meio-campo para a frente: Pelé, Tostão, Gerson, Jairzinho, Clodoaldo, Rivellino e, por que não, Carlos Alberto, considerado um precursor entre os laterais que apoiavam o ataque, que “iam e vinham” com frequência, o jogo todo.
Hoje, todo lateral de qualidade, “moderno”, ataca e defende com a mesma eficiência, uma característica do futebol do “Capita”.
Líder natural e dono de um estilo “durão”, aliando força física, habilidade e disciplina tática, Carlos Alberto é considerado o melhor lateral direito da história do futebol brasileiro, acima de Cafu, Djalma Santos, Jorginho, outros campeões mundiais na posição.
Palavras de Tostão, que viu todos eles em ação: “O Carlos Alberto foi o maior jogador que eu vi jogar nessa posição. Tinha muita técnica, fisicamente era privilegiado porque era alto, com as pernas compridas, tinha uma passada espetacular, não errava um passe. Quando avançava, avançava muito bem e avançava na hora certa. Foi um lateral fora de série”.

‘Eu que inventei essa história de beijar o troféu. Fui o primeiro’ diz Carlos Alberto Torres

 copa do mundo Morre o capitão do tri Carlos Alberto Torres
Cria das divisões de base do Fluminense, Carlos Alberto Torres, nascido no Rio de Janeiro (capital), em 17 de julho de 1944, começou a atuar na equipe principal do clube das Laranjeiras em 1962, aos 17 anos, e em 1964 ganhou o Estadual. Mas foi no Santos de Pelé e companhia que fez de fato seu nome, sendo campeão paulista cinco vezes (1965, 1967, 1968, 1969 e 1973) e faturando uma vez a Taça Brasil (1965) e outra o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968), principais competições no Brasil à época.
Em 1971, esteve emprestado ao Botafogo e, depois de deixar o Santos, clube pelo qual atuou 445 vezes e marcou 40 gols, defendeu novamente o Fluminense, por três anos (1974-1977), e o Flamengo, antes de emigrar para os EUA, onde vestiu a camisa do Cosmos de Nova York – ao lado de Pelé, Beckenbauer e outros grandes nomes do futebol mundial – e a do California Surf. Aposentou-se em 1982, defendendo o Cosmos.
Carlos Alberto dizia que uma das grandes frustrações de sua carreira foi não ter disputado a Copa de 1966, depois de ter sido titular durante todo o período de preparação. O corte, sem explicação aparente, pegou-o de surpresa. “Foi uma decepção muito grande para mim.” O técnico Vicente Feola optou por levar à Inglaterra o veteraníssimo Djalma Santos, 37, e Fidelis, 22, apelidado “Touro Sentado” e considerado o melhor lateral direito da história do Bangu.
O Capitão do Tri também não foi à Copa de 1974, na Alemanha, devido a uma lesão no pé, nem à de 1978, na Argentina – até disputou jogos das eliminatórias, mas sua opção por jogar no futebol norte-americano o afastou da equipe nacional.
O que pouca gente sabe é que, pela seleção, Carlos Alberto conquistou bem no início de sua carreira a medalha de ouro no Pan-Americano de São Paulo, em 1963 – Jairzinho, artilheiro do Brasil na Copa de 1970, também integrava aquele selecionado de jogadores amadores.
Depois de deixar os gramados, Carlos Alberto aventurou-se na carreira de treinador, passando por vários clubes do Brasil e do exterior entre 1983 e 2005. Depois disso, não foi mais requisitado, situação que em vários momentos o incomodava. Suas principais conquistas na prancheta foram o Brasileiro de 1983, com o Flamengo, o Estadual do Rio de 1984, com o Fluminense, e a Copa Conmebol de 1993, com o Botafogo.
Teve ainda uma passagem pela política, sendo vereador no Rio, pelo PDT, entre 1989 e 1993, e em 2012 chegou a dizer que poderia ser candidato a presidente da CBF, o que não ocorreu.
Às vésperas da Copa de 2014, no Brasil, Carlos Alberto, embaixador do evento, fez aparições ao lado da Taça Fifa, no tour do troféu por cidades brasileiras, como Cuiabá, Curitiba e Florianópolis. E repetiu seu gesto mais célebre: o beijo na Copa do Mundo.
 RAIO X
Nome: Carlos Alberto Torres
Nascimento: 17 de julho de 1944, no Rio de Janeiro (RJ)
Altura: 1,82 m
Peso: 76 kg
Posição: Lateral-direito
Apelidos: Capitão do Tri, Capita
Casamentos: Sueli, Terezinha Sodré e Graça
Filhos: Andréa e Alexandre Torres, ambos do 1º casamento
SELEÇÃO
(1963-1977)
73 jogos* (57 vitórias, 7 empates, 9 derrotas)
9 gols
*Inclui as partidas do Pan de 1963 (3 vitórias e 1 empate)
CLUBES
Fluminense (1962-1964 e 1975-1976) – 169 jogos, 19 gols
Santos (1965-1974) – 445 jogos, 40 gols
Botafogo (1971) – 22 jogos, 0 gol
Flamengo (1977) – 20 jogos, 0 gol
NY Cosmos (1977-1980 e 1982) – 100 jogos, 6 gols
California Surf (1981) – 19 jogos, 2 gols
PRINCIPAIS CONQUISTAS
Seleção
1 Copa do Mundo (1970)
1 Pan-Americano (1963)
Santos
1 Recopa Intercontinental (1968)
1 Recopa Sul-Americana (1968)
1 Taça Brasil (1965)
1 Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968)
1 Torneio Rio-SP (1966)
5 Campeonatos Paulistas (1965, 1967, 1968, 1969, 1973)
Fluminense
3 Estaduais do Rio (1964, 1975, 1976)
Cosmos
4 campeonatos dos EUA (1977, 1978, 1980, 1982)

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