Sérgio Cabral embolsava 5% da ‘taxa de oxigênio’, diz MPF

Apontado pelo Ministério Público Federal como responsável por recolher a propina na Secretaria Estadual de Obras do Rio, Wagner Jordão Garcia confirmou à Polícia Federal a existência da “taxa de oxigênio” cobrada na pasta às empreiteiras.
A expressão era usada, segundo investigações, para denominar a propina de 1% sobre contratos com empreiteiras na pasta. Outros 5% eram cobrados, afirma o MPF, pelo ex-governador Sérgio Cabral.
Preso desde 17 de novembro pela Operação Calicute, Garcia prestou depoimento à PF na terça (29). Ele afirmou que “as pessoas da secretaria e empresários relatavam sobre a taxa de oxigênio“.
Garcia disse que foi repreendido pelo ex-secretário Hudson Braga, outro preso, ao imprimir e-mail que recebeu de Alex Sardinha, representante da construtora Oriente, que fazia referência ao pagamento da taxa. De acordo com o relato, o ex-secretário “ficou chateado pelo fato [de a taxa de oxigênio] ter sido documentada”.
O suspeito afirma que as discussões em razão da documentação da propina culminaram em sua saída do cargo de assessor na secretaria em 2012. Ao longo do depoimento, Garcia evita afirmar saber da existência dos pagamentos de empreiteiras.
Quando questionado diretamente sobre se recebeu propinas a serem repassadas a Braga, Garcia diz que “recebeu alguns envelopes” de executivos de empreiteiras a serem entregues ao ex-secretário.
Ele diz que as correspondências eram chamadas de “projeto”. Apesar do nome, elas sempre eram entregues fora da secretaria, em bares, restaurantes, cafés e estacionamento próximos à sede da pasta.
O pedido de prisão de Garcia, Braga, Cabral e outros sete suspeitos faz referência direta a propinas pagas pela Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia, cujos executivos já fizeram delação premiada.
No depoimento, o ex-funcionário da Secretaria de Obras diz que recebia tais envelopes de representantes de outras empreiteiras além das duas, como Delta, OAS, Queiroz Galvão e Odebrecht.
Ele afirma que era acionado por Braga ao menos uma vez por mês. Garcia disse que outro responsável por pegar envelopes era José Orlando Rabelo, ex-chefe de gabinete da pasta, também preso.
Garcia foi preso ao tentar fugir, segundo a PF, antes da deflagração da Calicute. Levava mala com R$ 22 mil.
O ex-funcionário da secretaria negou. Ele afirma que o dinheiro seria usado para despesas domésticas e para pagar hotel em São Paulo, já reservado.
Em depoimento, Hudson Braga disse desconhecer a expressão “taxa de oxigênio”.

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