Brasil repudia a exclusão de partidos opositores na Venezuela

O governo brasileiro repudiou nesta terça-feira (6) a exclusão de vários partidos opositores venezuelanos de participar das eleições presidenciais antecipadas, nas quais Nicolás Maduro pretende se reeleger, afirmando que evidencia o “absoluto desprezo” das autoridades desse país pelo “pluralismo político”.



O governo de Michel Temer “repudia o sistemático e inaceitável empenho do regime autoritário venezuelano em eliminar da atividade política partidos, frentes e personalidades da oposição”, manifestou o ministério das Relações Exteriores em comunicado.
A nota faz referência à “inabilitação” ordenada na sexta-feira passada por parte do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do partido opositor Primeiro Justiça visando as presidenciais, dias depois de o Tribunal Supremo excluir da disputa a aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), provocando fortes críticas internacionais.
Essas decisões foram tomadas depois que a Assembleia Constituinte da Venezuela (governista) – que rege com poderes absolutos – ordenou a reinscrição de vários partidos da oposição que se afastaram das votações de prefeitos, em dezembro, argumentando uma fraude na eleição de governadores, em outubro.
A Chancelaria brasileira também mencionou a “cassação dos direitos” de líderes opositores como o ex-candidato presidencial Henrique Capriles, inabilitado pela Controladoria, e Leopoldo López, em prisão domiciliar e condenado a quase 14 anos de prisão por incitar a violência nos protestos de 2014, como “uma evidência a mais” dessa vontade das autoridades de Caracas de “eliminarem” seus adversários.
“O governo brasileiro reitera sua convicção de que a reconciliação do povo venezuelano haverá de resultar do diálogo de boa fé com ampla participação das forças da oposição e da sociedade civil, em busca de uma saída pacífica para a crise que tanto aflige esse povo irmão”, disse o comunicado de Brasília.
Há duas semanas, a Assembleia Constituinte da Venezuela adiantou as eleições que tradicionalmente são realizadas em dezembro para antes de 30 de abril. Segundo analistas, sua intenção é aproveitar a crise de credibilidade e fissuras na MUD.
Está previsto que o governo da Venezuela e a oposição retomem nesta terça-feira em Santo Domingo um diálogo no qual negociarão a data e as garantias para as eleições presidenciais.
O governo de Temer se distanciou de Maduro, no poder desde 2013 e herdeiro político do falecido Hugo Chávez, com quem as anteriores administrações mantiveram fortes laços econômicos e políticos, acentuados especialmente com Lula (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016). (AFP)

 



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *