Brasil vai ao Clube de Paris contra calote da Venezuela

O Ministério da Fazenda confirmou nesta terça-feira, 14, que o Brasil comunicará oficialmente ao Clube de Paris uma dívida não paga pela Venezuela desde setembro, referente ao Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos (CCR) utilizado com os vizinhos no continente. O calote é de US$ 262,5 milhões referentes a garantias de pagamento.
De acordo com o Ministério da Fazenda, o governo brasileiro já entrou em contato com a Embaixada da Venezuela em Brasília para informar o débito e abrir negociações para que o país vizinho quite a pendência. Mas, como é membro do Clube de Paris desde dezembro, o Brasil precisa informar ao organismo e utilizá-lo como meio de fazer a cobrança.



O CCR é uma câmara de compensação de garantias que permite que os países membros da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) façam transações comerciais entre si garantidos por recursos de seus respectivos Tesouros Nacionais. São signatários do convênio Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador México, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela e República Dominicana.
Além da reclamação brasileira, na noite de segunda-feira a agência de classificação financeira Standard & Poors declarou que Caracas entrou em default seletivo depois que não conseguiu pagar US$ 200 milhões em bônus globais.
“Rebaixamos duas notas para ‘D’ (default) e reduzimos a classificação da dívida soberana em moeda estrangeira a longo prazo a ‘SD’ (default parcial, em inglês)”, indicou a S&P, explicando que tomou a decisão após os 30 dias concedidos para a realização dos pagamentos dos títulos 2019 e 2024.




O Calote venezuelano
A reunião durou apenas 25 minutos, mas foi considerada um sucesso pelo governo de Nicolás Maduro. Os credores, no entanto, saíram decepcionados.
O vice-presidente Tareck El Aissami leu um texto no qual prometeu novos encontros para “avaliar propostas”, sem estabelecer datas.
El Aissami declarou ao canal estatal de TV que a Venezuela está “blindada”, mas acusou o governo de Donald Trump de “fechar vias” ao país com as sanções financeiras.
Maduro anunciou em 2 de novembro que o país buscaria “refinanciar e reestruturar” a dívida, em consequência de uma “perseguição financeira” comandada pelos Estados Unidos.
O default nunca chegará”, afirmou o presidente no domingo.
O governo afirmou que muitos investidores compareceram ao encontro, mas outras fontes afirmaram à agência de noticias AFP que os estrangeiros não estavam na reunião porque o governo dos Estados Unidos incluiu El Aissami na lista de sanções, proibindo seus cidadãos de negociar com ele.
“As sanções dos Estados Unidos sobre a Venezuela e funcionários do governo provavelmente resultarão em uma longa e difícil negociação com proprietários de títulos”, opinou a S&P.



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