Michael Phelps pensou em suicídio depois dos Jogos de Londres

Depressão do atleta piorou depois dos Jogos Olímpicos de 2012. Foi o “o outono mais difícil”, descreveu
Michael Phelps, o mais medalhado atleta olímpico de sempre, pensou em suicidar-se, logo após os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, revelou o nadador norte-americano, esta quinta-feira, durante uma conferência sobre saúde mental, em Chicago.



Perante uma audiência em completo silêncio, Phelps, de 32 anos, falou sobre a sua história de depressão e admitiu: “Ponderamos o suicídio”, acrescentando que o facto de poder partilhar a sua experiência e assim “salvar vidas” é “muito mais poderoso” do que todas as medalhas que ganhou.
“Estou profundamente agradecido por não ter acabado com a minha vida”, confessou o atleta.
Em entrevista à CNN, durante a conferência, o atleta olímpico revelou ter sofrido, durante anos, de crises de ansiedade e de depressão e que chegou a ter pensamentos suicidas. Ganhar medalhas de ouro olímpicas, essa terá sido a “parte fácil”, de acordo com o nadador.
Phelps recordou o dia em que o treinador disse aos seus pais que ele poderia vir a tornar-se um atleta olímpico, mas também lembrou a derrota “por menos de meio segundo” nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000. “Eu estava sempre com fome, com fome e queria mais”, disse Phelps, referindo-se ao seu percurso como atleta olímpico.
“Depois de todos os [Jogos] Olímpicos, penso que caí num grande estado de depressão”, disse Phelps, que começou a aperceber-se de um padrão que começava todos os anos, em outubro ou novembro.
Foi em 2004 que o atleta terá tido o seu primeiro episódio de depressão. Foi nesse ano que Phelps foi acusado de conduzir sob a influência de álcool e no outono de 2008 – apenas algumas semanas depois de ter ganho um recorde de oito medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim – foi apanhado a fumar erva. Era a sua forma de se “auto-medicar”, segundo Phelps, que confessou querer “fugir, do que quer que fosse”.
Mas foi no “outono mais difícil”, após os Jogos Olímpicos de 2012, que Phelps ponderou o suicídio. “Eu não queria estar no desporto. Não queria estar vivo”. Depois de ter ficado “três a cinco dias” fechado no quarto, sem comer, a dormir mal e “simplesmente a não querer estar vivo”, percebeu que precisava de ajuda.




Internou-se numa clínica de reabilitação e, aos poucos, começou a falar sobre os seus sentimentos. “Eu era muito bom em compartimentar coisas e a arrumar coisas sobre as quais eu não queria falar”, disse.
Atualmente, Michael Phelps, através da sua fundação, é um embaixador para a saúde mental e participa, como orador, em várias conferências sobre gestão de stress no desporto.
Phelps é detentor de trinta e sete recordes mundiais e conquistou o maior número de medalhas de ouro olímpicas em uma única edição (8), nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. A 19ª medalha olímpica conquistada em Londres, em 2012, tornou-o o atleta mais medalhado da história dos Jogos Olímpicos.
Depois dos Jogos Olímpicos de 2012, anunciou a sua retirada das competições, mas acabaria por regressar em 2014 e dois anos despediu-se dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, onde também conquistou uma medalha de ouro: a 28ª da sua carreira.
Aos 31 anos, Michael Phelps despediu-se de vez dos Jogos Olímpicos.

 



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