Genética desvenda mistério de múmias egípcias com 4000 anos

O mistério durava desde que, há 111 anos, quando os egiptólogos ingleses Flinders Petrie e Ernest Mackay descobriam as duas múmias num túmulo até então intocado em Deir Rifeh, cerca de 320 quilômetros da sul do Cairo, onde se concentram muitos dos cemitérios da antiga civilização egípcia. Do estudo das duas múmias, já Inglaterra, no Museu de Manchester onde ainda hoje são uma das principais atrações-, emergiu uma insanável contradição. Apesar de o nome materno inscrito no túmulo para os dois corpos ser o mesmo, estes eram tão diferentes entre si, que se instalou a dúvida e ficou o mistério. Até hoje.



Agora, um estudo genético com uma técnica de nova geração, resolveu o enigma. Afinal, os dois eram meios-irmãos.
As duas múmias ficaram logo conhecidas por “os dois irmãos” (The two brothers), por causa do mesmo nome matern – Khnum-aa, inscrito no túmulo comum de Khnum-nakht e Nakht-ankh assim se chamavam estes dois egípcios que viveram há quatro mil anos. E a designação acabou por ficar, mesmo depois de analisadas, logo em 1908, e verificadas as grandes diferenças entre elas.
Já na segunda metade do século XX foram feitos testes genéticos para tentar deslindar o mistério, mas os resultados não foram conclusivos.
Agora, uma técnica de nova geração, que foi usada por investigadores da universidade e do Museu de Manchester, a partir de amostras dos dentes, conseguiu reconstituir o ADN mitocondrial (informação genética que é apenas herdada da mãe) e a quase totalidade do cromossoma Y (que é transmitido exclusivamente pelo pai), e resolveu-se o mistério. Khnum-nakht e Nakht-ankh tiveram a mesma mãe, sim, mas eram filhos de pais diferentes.
O estudo foi publicado no Journal of Archaelogical Science.

 



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