Enfermeiro alemão vai ser julgado por 97 mortes

O enfermeiro alemão Niels Högel, que reconheceu ter matado doentes por tédio, voltou a comparecer hoje perante a justiça para responder por 97 mortes, indicou o procurador de Oldenbourg, norte da Alemanha.
“Vamos tentar [desencadear o processo] este ano”, indicou hoje à agência noticiosa France-Presse (AFP) um porta-voz do tribunal da mesma cidade.

 



Já condenado a prisão perpétua pela morte de seis doentes, Niels Högel, 41 anos, foi formalmente acusado por 62 mortes cometidas no hospital de Delmenhorst e 35 no de Oldenburg, os dois estabelecimentos onde trabalhou entre 1999 e 2005.
Em agosto, o responsável pelo inquérito, Arne Schmidt, considerou este caso “único na história da República federal” devido à sua dimensão.
No comunicado de hoje, o procurador precisa que em três outros casos os elementos de prova não são suficientes para justificar o indiciamento.
Segundo a acusação, o enfermeiro injetou nos seus doentes, em geral pessoas idosas, sobredoses de medicamentos que os conduziu à morte. “Atuava desta forma porque queria demonstrar as suas competências em matéria de reanimação face aos seus colegas e chefes e para iludir o tédio”, recordou o procurador.




O caso foi revelado em 2005, quando foi surpreendido por um colega no momento em que injetava um doente na clínica de Delmenhorst com uma medicação não prescrita, e que implicou a sua primeira condenação em 2008 por tentativa de homicídio.
O inquérito foi relançado em janeiro de 2014 após Niels Högel ter confessado a outro detido cerca de 50 homicídios. De seguida, disse a um psiquiatra ter cometido 30 mortes e ainda outras 60 tentativas.
Este caso também revela o mau funcionamento das duas clínicas onde o enfermeiro trabalhava. Apesar de as mortes de doentes terem sobretudo ocorrido quando Niels Högel estava de serviço, não foi acionado qualquer mecanismo para emitir um alerta.
As clínicas de Delmenhorst e Oldenbourg estão a ser alvo de um inquérito para determinar responsabilidades, após os investigadores terem considerado que as mortes poderiam ter sido evitadas.



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