‘Annabelle 2’, ‘Afterimage’ entre outros filmes chegam aos cinemas; confira

O terror parte 2 ‘Annabelle – A Criação do Mal’ e o drama político ‘Afteimage’ e mais quatro filmes estreiam nas principais salas dos cinemas de todo país. Confira.
“AFTERIMAGE”

O mestre polonês Andrzej Wajda, morto em 2016 aos 90 anos, finalizou sua carreira com o drama político “Afterimage”, finalizado pouco antes de sua morte. É uma obra que conclui um ciclo vigoroso, marcado pelo humanismo e pela defesa da liberdade em ambientes totalitários, ambientado no pós-guerra e na Polônia vivendo sob o regime comunista, sob tutela do stalinismo soviético.
Nessa sociedade, o pintor Wladyslaw Strzeminski (Boguslaw Linda), que perdeu uma perna e um braço na 1ª Guerra Mundial, é idolatrado por seus alunos na universidade, mas perseguido pelas autoridades locais por não se enquadrar às normas estéticas do realismo socialista, que impedem uma visão pessoal ou mesmo poética da realidade.
As autoridades locais tentam apagar da retina da população e das salas dos museus poloneses toda a história do artista, que também enfrenta dificuldades para manter a filha adolescente (Bronislawa Zamachowska) em um país onde a comida é racionada e cada passo vigiado. Wajda encerra sua filmografia com uma obra potente que tem muito a dizer nos dias de hoje.
“JOÃO, O MAESTRO”

A vida e a arte do pianista e maestro brasileiro João Carlos Martins ganham uma cinebiografia higienizada, com roteiro e direção de Mauro Lima, que concentra o filme na relação do personagem com a música, deixando de lado, por exemplo, as polêmicas envolvendo a política. A vida e a obra do músico já renderam mais de um documentário.
Rodrigo Pandolfo e Alexandre Nero revezam-se no papel dele, que já foi considerado um dos maiores intérpretes de Bach. De uma infância introvertida e dedicada ao piano muito para realizar o sonho de seu pai (Giulio Lopes), Martins tem uma carreira de sucesso fora do Brasil, até que, jogando futebol nos EUA, caiu e uma pedra perfurou seu braço, causando atrofia de três dedos, impedindo-o de continuar a tocar.
Nero é empenhado, mas o filme nunca se aprofunda no personagem, colocando na tela uma espécie de trívias da wikipedia sobre a vida do biografado, que faz a obrigatória participação no final.
“ANNABELLE 2: A CRIAÇÃO DO MAL”

Em sua segunda incursão solo no cinema, a boneca Annabelle ganha um filme que conta a sua origem. A iniciativa começa bem, até descambar em algo que não faz muito sentido nem dentro da lógica fantasiosa do filme. O brinquedo foi criado por um artesão (Anthony LaPaglia), cuja filha morreu atropelada aos 6 anos.
Tempos depois, ele e a mulher (Miranda Otto) transformam sua casa numa espécie de orfanato e recebem um grupo de garotas e uma freira que cuida delas. Adivinhe qual delas chamará a atenção da boneca demoníaca: a garotinha indefesa que teve pólio e dificuldade para andar (Talitha Bateman) ou alguma das adolescentes espevitadas?
Dirigido por David F. Sandberg, o filme segue a cartilha-clichê do terror: cria um clima e depois vira apenas uma sucessão de sustos, sem nunca se dar ao trabalho de explicar porque ninguém põe fogo na boneca e acaba com isso de uma vez.
“LADY MACBETH”

Apesar do título, esse drama inglês não é baseado em William Shakespeare, mas no russo Nikolai Leskov, cujo “Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk” já rendeu inclusive uma ópera. A protagonista é a jovem Katherine (Florence Pugh), vendida a um casamento de conveniência e passando o dia entediada num casarão no interior da Inglaterra.
Com um marido omisso (Paul Hilton) e um sogro opressor (Christopher Fairbank), a protagonista se torna amante de um empregado (Cosmo Jarvis) da propriedade. Esse é o ponto de partida para trazer à tona o lado frio e manipulador da moça, que daí faz justiça ao título do longa.
O filme de William Oldroyd, no entanto, está longe de demonizá-la. Pelo contrário, há um esforço de compreender o que não significa compactuar ou justificar o comportamento de Katherine, aliás, uma grande interpretação de Florence, uma jovem atriz a se prestar atenção.
“CORPO ELÉTRICO”

Com passagem por diversos festivais internacionais, como Roterdã e Guadalajara, “Corpo Elétrico” marca a estreia em longas do diretor paulista Marcelo Caetano (de curtas premiados, como “Bailão”). O roteiro, de autoria do diretor, ao lado de Gabriel Domingues e colaboração de Hilton Lacerda, segue a vida de Elias (Kelner Macedo), um jovem designer gay, assistente numa confecção do Bom Retiro, em São Paulo.
Filmado no centro velho de São Paulo, o filme incorpora essa porção da cidade em sua narrativa, retratando uma parcela do universo dessa classe média baixa que trabalha nas confecções ao longo da rua José Paulino. Assim, a história acompanha os relacionamentos amorosos de Elias e também suas amizades, que incluem colegas heterossexuais como Andressa (Nash Laila). Destaca-se o ambiente de trabalho destes personagens, aproximando o filme de obras do diretor Carlos Reichenbach, como “Garotas do ABC” e “Falsa Loura”.
“Lady Macbeth”

Baseado no livro Lady MacBeth of Mtsensk District (1865), de Nikolai Leskov, na trama uma jovem presa a um casamento de conveniência, com um homem com o dobro da sua idade, se sente sufocada em um relação sem amor. Quando ela embarca em um apaixonado caso com um rapaz mais jovem que trabalhava para seu marido as coisas começam a mudar.

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