Tucanos aliados de Alckmin querem explicações de FHC sobre Huck

Aliados do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), cobraram explicações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) sobre suas recentes manifestações favoráveis ao apresentador Luciano Huck, cotado para disputar a eleição presidencial deste ano. O grupo chegou a cogitar a divulgação de uma nota pública condenando a postura do ex-presidente, iniciativa abortada por Alckmin. Decidiram, então, encaminhar um e-mail questionando a posição de FHC, o que foi feito na quarta-feira.



Na tarde de quinta-feira, em meio à saia justa provocada no partido, o ex-presidente telefonou para Geraldo Alckmin e reafirmou apoio à sua candidatura ao Planalto. À noite, no entanto, ele jantaria com Luciano Huck.
O governador de São Paulo pediu calma a apoiadores e concordou que uma mensagem privada menos agressiva fosse enviada a FHC. No e-mail, o líder tucano é questionado se continua apoiando Alckmin ou se prefere outro nome.
A gota-d’água foi uma entrevista de Fernando Henrique na terça-feira, na qual afirmou que uma candidatura de Huck seria boa para o Brasil, poderia “arejar” as eleições e “botar em perigo a política tradicional”.
“É bom ter gente como o Luciano porque precisa arejar, botar em perigo a política tradicional, mesmo que seja do meu partido. É preciso que ela seja desafiada por pessoas portadoras de ideias e processos políticos novos para que o próprio partido possa avançar. Está havendo sinal nessa direção” disse FHC à Jovem Pan.
Na quinta-feira, à “Folha de S.Paulo”, o ex-presidente voltou a elogiar o apresentador de televisão:
“Ele (Huck) sempre foi muito próximo ao PSDB, o estilo dele é peessedebista.”
Após a declaração ser divulgada na internet, Fernando Henrique ligou para Alckmin “para que a intriga não prosperasse”, segundo informaram auxiliares do ex-presidente.
O estilo “morde e assopra” de FHC tem causado constrangimento ao presidenciável do PSDB. A um mês de ser oficializado candidato ao Planalto as prévias estão previstas para 11 de março, Alckmin tem sua pré-campanha minada por especulações de que o apresentador poderia ser uma opção mais competitiva do que ele. Pesquisa Datafolha divulgada semana passada mostrou os dois com desempenhos parecidos. Alckmin chegou a 11% das intenções de voto, e Huck registrou 8%.
O apresentador tem negado que disputará a eleição. Advogados dele entregaram esta semana ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) documento no qual dizem que Huck não pretende se candidatar. Entretanto, as declarações de FHC e o encontro entre os dois em São Paulo reacenderam os rumores de uma candidatura do apresentador. Correligionários do governador paulista estão indignados, mas evitam fazer comentários em público.
“Ele quer derrubar o Geraldo ou quer apenas aparecer e chamar atenção? Ninguém está entendendo o que ele está fazendo” desabafou um dos integrantes do grupo do governador.




No meio do tiroteio, Alckmin voltou, na quinta-feira, a relativizar os movimentos de FHC.
“O Fernando Henrique tem uma amizade pessoal com o Luciano e a família dele” disse à Rádio Bandeirantes.
O governador de São Paulo e o ex-presidente estiveram a sós há duas semanas. FHC não demonstrou interesse em desembarcar do projeto eleitoral de Alckmin. Ao responder se havia sabotagem de FHC, o governador reagiu:
“Zero, zero.”
Na mesma ocasião, ele queixou-se de “incivilidade política”:
“Vivemos muita incivilidade na política. Você elogiar alguém já parece que você está lançando candidato. Política não é guerra. Não é mata-mata.”
Sobre uma candidatura de Huck, ele repetiu o discurso de que jovens são bem-vindos na política e terminou com um “é o povo quem decide”. Alckmin também disse, num recado que seria ao apresentador, que o país “não precisa de ‘showman’”.
Fora do radar nacional, um outro desfecho para Huck tem entrado nas rodas de conversa política. Uma candidatura dele ao governo do Rio de Janeiro pelo PSDB já foi mencionada por FHC a interlocutores como um “bom negócio para todo mundo”. Entre políticos, a avaliação é que a participação do apresentador numa disputa no Rio não encontraria tanta resistência como ocorre com uma postulação à Presidência da República. Por enquanto, o PSDB não tem candidato à sucessão fluminense. (Conteúdo O Globo)

 



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